quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Trump reconhece Jerusalém como capital de Israel

     O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (6) que reconhece Jerusalém como capital de Israel e que pediu ao Departamento de Estado que inicie o processo de transferir a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém. "Meu anúncio marca o começo de uma nova abordagem no conflito entre Israel e palestinos", anunciou Trump no início de seu discurso feito na Casa Branca. "Hoje reconhecemos o óbvio". Com o anúncio reafirmo o comprometimento da minha administração com um futuro de paz", disse o presidente. Trump disse que os EUA estão preparados a apoiar uma solução de dois Estados no Oriente Médio, caso os israelenses e palestinos queiram isso. Com o anúncio, Trump cumpre uma promessa feita ainda durante a campanha eleitoral. 

      Atualmente, a Embaixada dos EUA em Israel fica em Tel Aviv, e sua transferência pode ser vista como um reconhecimento da ocupação e da soberania de Israel sobre toda a cidade de Jerusalém. Os palestinos querem Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado, e a comunidade internacional não reconhece a reivindicação israelense sobre a cidade como um todo. Sua decisão também faz com que o "Jerusalem Embassy Act", adotado pelo Congresso Americano em 1995, não seja mais adiado, como vinha sendo feito nas últimas duas décadas, sob justificativa de "interesses de segurança nacional". Em junho, o próprio Trump prorrogou a lei por mais seis meses.


Comunicado

      
      Trump passou o dia de terça-feira (4) telefonando para vários lideres árabes para dizer que tinha a intenção de transferir a embaixada americana em Israel a Jerusalém. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, o Rei Abdullah da Jordânia e o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi argumentaram com o mandatário americano que a decisão unilateral pode desencadear ainda mais turbulência na região. Trump notificou Abbas sobre "suas intenções de mover a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém", afirmou o porta-voz do presidente palestino, Nabil Abu Rdainah. Abbas, em resposta, "alertou para as consequências perigosas que tal decisão teria no processo de paz e também para a paz, segurança e estabilidade na região e no mundo", e também apelou para que o Papa Francisco, os líderes da Rússia, da França e da Jordânia intervenham na questão.

Alerta


       O alerta de Abbas, no entanto, não foi o único feito a Trump. O presidente egípcio alertou Trump contra "medidas que prejudiquem as chances de paz no Oriente Médio". O comunicado da presidência afirma ainda que al-Sisi "afirmou a posição do Egito de preservar o status legal de Jerusalém dentro do âmbito de referências internacionais e resoluções relevantes da ONU". O rei da Jordânia advertiu Trump que tal medida teria "graves consequências na estabilidade e segurança da região" e iria obstruir os esforços norte-americanos de retomar as negociações de paz entre palestinos e israelenses, segundo comunicado do ministério das Relações Exteriores jordaniano. A decisão fomentará a violência e não contribuirá para o processo de paz, alertou a Jordânia, que é guardiã dos lugares santos muçulmanos de Jerusalém. A posição jordaniana também foi comunicada pelo ministro do país, Ayman Safadi, em uma conversa telefônica com seu homólogo americano Rex Tillerson. Ainda na terça-feira, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse ao líder americano que o status de Jerusalém é "uma linha vermelha" para os muçulmanos. Erdogan ameaçou ainda ameaçou romper as relações diplomáticas com Israel caso o governo americano transferisse sua representação diplomática. "Senhor Trump, Jerusalém é uma linha vermelha para os muçulmanos. É uma violação da lei internacional tomar uma decisão apoiando Israel enquanto as feridas da sociedade palestina ainda estão sangrando", completou Erdogan.

Promessa


      Trump prometeu, durante a campanha presidencial de 2016, que iria transferir a embaixada para Jerusalém, como uma forma de satisfazer a base pró-Israel de direita que o ajudou a conquistar a presidência. O ministro da Inteligência de Israel, Israel Katz, se encontrou na semana passada com funcionários americanos em Washington, e disse à Rádio do Exército de Israel: "Minha impressão é de que o presidente vai reconhecer Jerusalém, a eterna capital do povo judeu por 3.000 anos, como a capital do estado de Israel." Já sobre uma eventual onda de violência desencadeada pela eventual decisão de Trump, Katz foi categórico ao dizer que Israel estava pronta para todas as opções.

Controvérsia


      O status de Jerusalém é considerado um dos maiores obstáculos nas negociações de paz entre Israel e Palestina. A cidade foi anexada por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, que considera a cidade como capital indivisível. Na época, a decisão contrariou recomendações do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral das Nações Unidas. Já os palestinos consideram Jerusalém Oriental, atualmente controlada por Israel, como a capital de seu futuro estado. Jerusalém é considerada um local sagrado pelos judeus, muçulmanos e cristãos.

Via: G1

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Especialistas dizem que não existe homossexualidade verdadeira entre os animais selvagens

  Nos debates sobre homossexualidade geralmente se faz referência à relações de mesmo sexo entre os animais. Mas existe um comportamento verdadeiramente homossexual entre os animais? A resposta é NÃO, de acordo com declarações de vários especialistas em comportamento animal, feitas à BBC Earth. Segundo eles, as relações entre animais de mesmo sexo não representam a expressão de um comportamento verdadeiramente homossexual. Esses fenômenos, em geral, ocorrem por outros motivos, entre eles:

1) Estratégias reprodutivas;
2) Incentivo e treinamento sexual com espécie do sexo oposto;
3) Maturação sexual;
4) Fortalecimento dos vínculos sociais;
5) Subir na escala social, através de relação com membros mais dominantes do grupo;
6) Parceria para criar filhotes em razão da ausência de machos.

      Os especialistas também disseram que o comportamento homossexual ainda parece ser uma raridade. E conclui dizendo que os seres humanos são o único caso documentado de homossexualidade "verdadeira" em animais e que talvez nunca encontremos um animal selvagem que seja estritamente homossexual na forma como alguns humanos são.

Leia abaixo o artigo da BBC na íntegra:

"Durante a temporada de acasalamento de inverno, a concorrência é feroz para o acesso a macacas. Mas não é pelo motivo que você pensa. Os machos não só têm que competir com outros machos pelo acesso às fêmeas: eles também têm que competir com fêmeas.

Uma macaca fêmea japonesa monta outra fêmea

  Isso ocorre porque, em algumas populações, o comportamento homossexual entre as fêmeas não é apenas comum, é a norma. Uma fêmea montará outra, então estimulará seus órgãos genitais esfregando-os contra a outra fêmea. Algumas se mantêm presas umas às outras com seus membros usando um "montada abraçada dupla com os pés", enquanto outras se sentam em cima de seus companheiros em uma espécie de posição estilo jockey, diz Paul Vasey, da Universidade de Lethbridge, em Alberta, Canadá, que foi estudou esses macacos há mais de 20 anos. Para nossos olhos, esses encontros parecem surpreendentemente íntimos. As fêmeas olham fixamente nos olhos umas das outras enquanto se acasalam, o que macacos quase nunca faz fora dos contextos sexuais. Os pares podem até durar uma semana inteira, montando centenas de vezes. Quando elas não estão se acasalando, as fêmeas ficam juntas para dormir e se divertir, e se defenderem contra possíveis rivais.

        Que muitos humanos são homossexuais é bem conhecido, mas também sabemos que o comportamento é extremamente comum em todo o reino animal, desde insetos até mamíferos. Então, o que está acontecendo realmente? Esses animais podem ser chamados de homossexuais?

      Observaram-se animais se envolvendo acasalamentos do mesmo sexo por décadas. Mas, na maior parte do tempo, os casos documentados foram amplamente vistos como anomalias ou curiosidades. O ponto de virada foi o livro de Bruce Bagemihl's 1999, Biological Exuberance (Exuberância Biológica), que delineou tantos exemplos, de tantas espécies diferentes, que o tema entrou em evidência. Desde então, os cientistas estudaram estes comportamentos de forma sistemática. Apesar da lista de exemplos de Bagemihl, o comportamento homossexual ainda parece ser uma raridade. Provavelmente esquecemos de alguns exemplos, visto que em muitas espécies, machos e fêmeas são muito parecidos. Mas enquanto centenas de espécies foram documentadas fazendo isso em ocasiões isoladas, apenas um pequeno grupo tornou uma parte habitual de suas vidas, diz Vasey."

       Para muitos, isso não é surpreendente. Em face disso, o comportamento homossexual de animais parece uma idéia muito ruim. A teoria da evolução de Darwin pela seleção natural implica que os genes devem  passar para a próxima geração, ou eles irão ser eliminados. Quaisquer genes que façam com que um animal se engaje em acasalamentos do mesmo sexo seria menos propenso a perpetuar-se do que genes que pressionem o surgimento de pares heterossexuais, então a homossexualidade deveria perecer rapidamente. Mas isso, evidentemente, não é o que está acontecendo. Para alguns animais, o comportamento homossexual não é um evento ocasional - o que podemos colocar em erros simples -, mas uma coisa normal. Pegue os macacos. Quando Vasey observou pela primeira vez que as fêmeas montava entre si, ele ficou "deslumbrado" com a frequência com que fazia isso.

"Tantas fêmeas do grupo estão envolvidas neste comportamento e há machos sentados ao redor girando seus polegares", diz ele. "Deve haver uma razão para isso. Não há como esse comportamento ser irrelevante para a evolução".

       A equipe do Vasey descobriu que as fêmeas usam uma maior variedade de posições e movimentos do que os machos. Em um estudo de 2006, eles propuseram que as fêmeas simplesmente buscavam prazer sexual e usavam diferentes movimentos para maximizar as sensações genitais. "Elas pode fazê-lo em um contexto homossexual tão facilmente como em um contexto heterossexual, então o comportamento se espalha", diz Vasey. Mas, em todas as parcerias homossexuais às quais as fêmeas se entregam, Vasey é claro ao dizer que elas não são verdadeiramente homossexuais. Uma fêmea pode se envolver em uma montagem fêmea-fêmea, mas isso não significa que ela não esteja interessada em machos. As fêmeas costumam montar machos, aparentemente para encorajá-los a se acasalar mais. Uma vez que evoluíram esse comportamento, tornou-se fácil para eles aplicá-lo a outras fêmeas também. 
Besouros vermelhos de farinha
    
   Em alguns casos, há uma razão evolutiva bastante direta para que os animais se envolvam em comportamentos homossexuais. Pegue moscas de frutas masculinas. Nos primeiros 30 minutos de vida, eles tentarão copular com qualquer outra mosca, macho ou fêmea. Depois de um tempo, eles aprendem a reconhecer o cheiro de fêmeas virgens e concentram-se nelas. Esta abordagem de tentativa e erro pode parecer bastante ineficiente, mas na verdade é uma boa estratégia, diz David Featherstone, da Universidade de Illinois em Chicago, EUA. Na natureza, as moscas em diferentes habitats podem ter misturas de feromônio ligeiramente diferentes. "Um macho poderia estar perdendo a oportunidade de ter descendentes viáveis se ele estiver atento apenas a um certo cheiro", diz Featherstone. Os besouros de farinha masculinos usam um truque sorrateiro. Muitas vezes, eles se montam, e chegam tão longe a ponto de depositar esperma. Se o macho que leva este esperma se acasalar com uma fêmea mais tarde, o esperma pode ser transferido - de modo que o macho que o produziu fertilizou uma fêmea sem ter que cruzar com ela. Em ambos os casos, os machos usam o comportamento homossexual como uma forma indireta de fertilizar mais fêmeas. Então, está claro como esses comportamentos podem ser favorecidos pela evolução. Mas também é claro que as moscas da fruta e os besouros de farinha estão muito longe de ser estritamente homossexuais.

       Outros animais realmente parecem ser homossexuais ao longo da vida. Uma dessas espécies é o albatroz Laysan, que fazem ninhos no Havaí, EUA. Entre esses enormes pássaros, os pares são geralmente "casados" por toda a vida. É preciso que dois pais trabalhem juntos para criar uma filhotes com sucesso, e fazê-lo repetidamente significa que os pais podem aprimorar suas habilidades juntos. Mas em uma população na ilha de Oahu, 31% dos pares são compostos por duas fêmeas não relacionadas. Além disso, elas criam filhotes gerados por machos que já estão comprometidos em outro par, mas que se acasalam com uma ou ambas as fêmeas. Como pares macho-fêmea, esses pares fêmea-fêmea só podem criar um filhote por estação. Os pares fêmea-fêmea não são tão bons quanto os pares fêmea-macho na criação de filhotes, mas são melhores que as fêmeas que o fazem sozinhos. Então faz sentido que uma fêmea se junte com outra fêmea, diz Marlene Zuk, da Universidade de Minnesota, em Saint Paul, EUA. Se não o fizesse, ela conseguiria se acasalar, mas teria dificuldade em incubar o ovo e encontrar comida. E uma vez que uma fêmea forma um vínculo de par, a tendência da espécie para a monogamia significa que ela se torna vitalícia.

Albatrozes normalmente ficam juntos durante toda a vida

Existe até uma vantagem sutil para as fêmeas. O sistema significa que elas podem obter seus ovos fertilizados pelo macho mais apto do grupo e passar seus traços desejáveis para sua prole, mesmo que ele já tenha feito par com outra fêmea. Porém, mais uma vez, os albatrozes fêmeas não são inerentemente homossexuais. A população de Oahu tem um excedente de fêmeas como resultado da imigração, de modo que algumas fêmeas não conseguem encontrar machos para emparelhar. Estudos de outras aves sugerem que o acoplamento do mesmo sexo é uma resposta a uma falta de machos e é muito mais raro se a proporção de sexo for igual. Em outras palavras, os albatrozes Laysan provavelmente não escolheriam criar pares com outras fêmeas se houvesse machos suficientes para dar uma volta.

     Então, talvez estivéssemos olhando no lugar errado para exemplos de animais homossexuais. Dado que os seres humanos são conhecidos como homossexuais, talvez devamos olhar para os nossos parentes mais próximos, os macacos. Bonobos são muitas vezes descritos como nossos parentes "hiper-sexuais". Eles se envolvem em uma enorme quantidade de sexo, tanto que, muitas vezes, faz-se referência ao "aperto de mão bonobo", que inclui o comportamento homossexual entre machos e fêmeas.

      Como os macacos, eles parecem apreciá-lo, de acordo com Frans de Waal, da Universidade Emory, em Atlanta, Geórgia, EUA. Escrevendo para o Scientific American em 1995, ele descreveu pares de bonobos fêmeas esfregando seus órgãos genitais juntos e "emitindo sorrisos e gritos que provavelmente refletem experiências orgásmicas". Mas o sexo bonobo também desempenha um papel mais profundo: fortalece os laços sociais. Os bonobos mais jovens podem usar o sexo para se relacionar com membros do grupo mais dominante, permitindo-lhes subir na escala social. Os machos que tiveram uma luta às vezes realizam um toque entre genitais, conhecido como "esgrima do pênis", como forma de reduzir a tensão. Muito raramente, eles também se beijam, realizam mutilação e massageiam os genitais uns dos outros. Mesmo os jovens se confortam com abraços e sexo.

Bonobos fazem sexo o tempo todo.
     
   Bonobos mostram que o "comportamento sexual" pode ser mais do que reprodução, diz Zuk, e isso inclui comportamento homossexual. "Existe toda uma gama de comportamentos que explicam como a evolução ocorre que agora inclui o comportamento homossexual". De fato, os bonobos femininos ainda fazem sexo quando estão fora do período reprodutivo e não conseguem engravidar. Assim como os seres humanos podem usar o sexo para obter todos os tipos de vantagens, os animais podem também. Por exemplo, entre os golfinhos nariz-de-garrafa, tanto as fêmeas quanto os machos apresentam comportamento homossexual. Isso ajuda os membros do grupo a formar fortes laços sociais. Mas, em última análise, todos os interessados continuarão a ter descendência com o sexo oposto. Todas essas espécies podem ser melhor descritas como "bissexuais". Como os macacos japoneses e as moscas da fruta, eles se deslocam facilmente entre comportamentos com mesmo sexo e com o sexo oposto. Eles não mostram uma orientação sexual consistente. Apenas duas espécies foram observadas mostrando uma preferência pelo mesmo sexo durante toda a vida, mesmo quando os parceiros do sexo oposto estão disponíveis. Um é, é claro, humanos. O outro é em ovelhas domésticas. 

       Em bandos de ovelhas, até 8% dos machos preferem outros machos mesmo quando fêmeas férteis estão por perto. Em 1994, os neurocientistas descobriram que esses machos tinham cérebros ligeiramente diferentes em relação ao grupo. Uma parte de seu cérebro chamado hipotálamo, que é conhecido por controlar a liberação de hormônios sexuais, era menor nos machos homossexuais do que nos machos heterossexuais.Isso está de acordo com um estudo muito discutido pelo neurocientista Simon LeVay. Em 1991, ele descreveu uma diferença semelhante na estrutura cerebral entre machos homossexuais e heterossexuais. Isso parece bastante diferente de todos os outros casos de comportamento homossexual, porque é difícil ver como isso poderia beneficiar os machos. Como essa preferência por outros machos poderia ser transferida para a prole, se os machos não se reproduzem?
ovelha doméstica


      A resposta curta é que provavelmente não beneficia os próprios machos homossexuais, mas pode beneficiar seus parentes, que bem podem permitir que os mesmos genes sejam passados à frente. Para que isso aconteça, os genes que fazem alguns machos homossexuais teriam que ter outro efeito útil em outras ovelhas. LeVay sugere que o mesmo gene que promove o comportamento homossexual em ovelhas do sexo masculino também pode tornar as fêmeas mais férteis ou aumentar seu desejo de se acasalar. As irmãs femininas de ovelhas homossexuais poderiam até produzir mais prole do que a média. "Se esses genes estão tendo um efeito tão benéfico nas fêmeas, eles superam o efeito nos machos e então o gene vai persistir", diz LeVay

       Quanto às ovelhas masculinas mostram preferências homossexuais ao longo da vida, isso só foi observado em ovelhas domesticadas. Não está claro se o mesmo acontece em ovelhas selvagens, e se a explicação de LeVay está certa, provavelmente não. As ovelhas domésticas foram cuidadosamente criadas pelos fazendeiros para produzir fêmeas que se reproduzem o mais freqüentemente possível, o que poderia ter dado origem aos machos homossexuais. Então LeVay e Vasey ainda dizem que os seres humanos são o único caso documentado de homossexualidade "verdadeira" em animais selvagens. "Não é o caso de você ter bonobos lésbicas ou bonobos homossexuais", diz Vasey. "O que foi descrito é que muitos animais estão felizes em se relacionar com parceiros de ambos os sexos".

      O engraçado é que os biólogos deveriam ter previsto isso. Quando Darwin estava desenvolvendo sua teoria da seleção natural, uma das coisas que o inspiraram foi perceber que os animais tendem a ter muito mais filhos do que eles parecem precisar. Em teoria, um par de animais só precisa ter dois descendentes para se substituir, mas, na prática, eles têm o maior número possível deles - porque muitos de seus jovens morrerão antes de conseguirem se reproduzir. Parece óbvio que essa necessidade incorporada de continuar reproduzindo se manifestaria em um poderoso desejo sexual, que pode muito bem se espalhar para acasalar, enquanto as fêmeas são inférteis ou acasalamentos do mesmo sexo. Cientistas vitorianos viram animais com mais descendentes do que parecia necessário: hoje vemos animais com mais sexo do que parece necessário. "O comportamento homossexual não desafia as idéias de Darwin", diz Zuk. Em vez disso, há muitas maneiras de evoluir e ser benéficas. Talvez nunca encontremos um animal selvagem que seja estritamente homossexual na forma como alguns humanos são. Mas podemos esperar encontrar muitos outros animais que não estão em conformidade com as categorias tradicionais de orientação sexual. Eles estão usando o sexo para satisfazer todos os tipos de necessidades, desde o simples prazer, até o progresso social, e isso significa ser flexível."

Fonte original do texto traduzido: BBC Earth
Via: Ciência Repensada

Nota do Blog: A questão é muito mais complexa do que parece. Apesar do viés Darwinista do artigo da BBC, traz uma boa elucidação sobre o tema. Note que quando o artigo fala sobre "animais com comportamento homossexual", se refere simplesmente ao fato deles viverem ou se relacionarem com outro parceiro do mesmo sexo, mas em momento nenhum diz que eles vivem estritamente nesse comportamento. Além de quê, eles não tem a percepção de sexo da mesma forma que nós humanos.  E, mesmo que todos os animais apresentassem um comportamento homossexual verdadeiro, isso não afetaria em nada nossa percepção sobre o sexo. Simplesmente porquê nosso padrão sexual não são eles, mas um padrão absoluto estabelecido na própria palavra de Deus. Fomos criados á imagem de Deus e dotados de razão, espírito, moralidade e uma percepção de mundo completamente diferente dos animais. Animais cruzam em bandos, cruzam com seus próprios pais, mães, irmãos... Então, se pegássemos esse comportamento como normal ou natural, também deveríamos incorporar todas essas variações que são normais entre eles. (Mas é melhor não dá ideia)

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Nossa Resposta à Reforma

Várias igrejas e organizações têm ideias diferentes
 sobre como os cristãos devem se portar no ano da Reforma.
Qual deve ser a reação aos 500 anos de Reforma?
      Nesse ano recordamos o grande reavivamento espiritual que Deus concedeu em vários países da Europa, há 500 anos. Por que o fazemos? A antiga história do povo de Israel responde a essa pergunta, em Juízes 2.6-11. Quando o povo de Deus esquece as grandes obras de salvação, esquece também de Deus e recai no paganismo e na idolatria. Isso ocorreu no cristianismo protestante, que não sabe mais nada ou não quer saber das grandes obras de Deus à época da Reforma.

 “Combata o bom combate da fé... guarde o que foi confiado a você” (1Tm 6.12,20). “Portanto, não se envergonhe de testemunhar do Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro dele, mas suporte comigo os sofrimentos pelo evangelho, segundo o poder de Deus” (2Tm 1.8). “Eu os estou enviando como ovelhas no meio de lobos. Portanto, sejam astutos como as serpentes e sem malícia como as pombas. Tenham cuidado, pois os homens os entregarão aos tribunais e os açoitarão nas sinagogas deles. Por minha causa vocês serão levados à presença de governadores e reis como testemunhas a eles e aos gentios” (Mt 10.16-18).

         No dia 18 de abril de 1521, um monge agostiniano de 38 anos de idade estava diante do rei do Sacro Império Romano da nação alemã, juntamente com os maiorais do reino e dignitários da igreja, e falou as seguintes palavras:
“Se eu não fui convencido pelos testemunhos das Escrituras e pelas claras bases sóbrias – pois não acredito nem no papa nem mesmo unicamente nos concílios, uma vez que estamos no dia em que eles erraram várias vezes e se contradisseram –, assim fui convencido em minha consciência pelas passagens das Escrituras Sagradas que mencionei e cativado na Palavra de Deus. Por isso não posso e não quero revogar nada, pois, fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável”.
      Enquanto o monge Martinho Lutero comparecia diante do parlamento, os olhos de toda a Alemanha estavam voltados para ele. Todos queriam saber como o monge se derrotaria. Quando ele pronunciou as palavras anteriormente citadas, houve a deflagração daquele movimento espiritual que denominamos “Reforma”, do reavivamento espiritual como o cristianismo jamais havia visto desde a primeira geração de cristãos. Esse “minuto de agitação mundial”, ao olharmos retrospectivamente, foi a hora decisiva da Reforma para o reavivamento bíblico que abalou todos os países da Europa e alterou alguns em suas bases. O que levou o monge Martinho Lutero, doutor em teologia, professor da Universidade de Wittenberg, a defender seu posicionamento diante das Escrituras diante do rei do Império?
Em 1517 Lutero fixou suas famosas 95 teses na
porta da catedral de Wittenberg.

    Em 1517, Lutero havia fixado suas famosas 95 teses na porta da catedral de Wittenberg. Ele também enviou essas teses ao cardeal Albrecht, de Mainz, assessor de Tetzel, incluindo o sermão sobre graça e indulgência. Nesse ele afirmou resumindo: “Sobre esses pontos eu não tenho dúvida alguma e são suficientemente fundamentados na Escritura”. O cardeal Albrecht encaminhou os documentos para Roma. Um ano após a publicação das teses, Lutero foi convocado para um interrogatório em Augsburgo (outubro de 1518). O cardeal Caetano, que havia sido encarregado pelo papa, exigiu: “Revoca! Revoca! – Revogue!”. Mas Lutero não conseguiu pronunciar as seis letras REVOCO. Ele permaneceu firme nas provas das Escrituras.

       Nove meses depois, aconteceu a discussão com o dr. Eck, em Leipzig (junho-julho de 1519). Nessa ocasião, Lutero respondeu à respectiva questão de que ele não reconhecia a autoridade do papa nem dos concílios. Essa foi a consequência obrigatória em razão do que ele havia escrito no seu sermão sobre graça e indulgência. Lutero já então havia assinalado o desvio e não podia nem desejava retroceder: somente a Escritura é a fonte da verdade e o direcionamento para a fé e para a vida. Em 1520 surgiram os textos de Lutero: “Sobre o Papado em Roma”, “À Aristocracia Cristã da Nação Alemã”, “Sobre o Cativeiro Babilônico da Igreja”, “Sobre a Liberdade de Uma Pessoa Cristã”, sendo que todos eles, com base somente na autoridade da Escritura, rejeitam a autoridade do papa e ensinam sobre a justificação pela fé. Em junho de 1520 Lutero recebeu a bula de exortação e condenação “Exsurge Domine”: “Levanta-te, ó Senhor, e julgue a tua causa, as raposas procuram destruir a tua vinha e um javali especialmente selvagem é quem a cuida”.

        No dia 10 de dezembro de 1520 Lutero queimou a bula diante do Portão de Elster, em Wittenberg. Em janeiro de 1521 ele recebeu a segunda bula condenatória “Decet Romanum Pontificem”. Diante de tudo isso, Lutero foi intimado pelo parlamento. Na noite de 18 de abril de 1521 ele compareceu diante do parlamento em Worms. Os livros, que haviam sido escritos por Lutero e que haviam sido lidos por toda a Alemanha, estavam expostos em uma mesa e Lutero foi obrigado a responder se ele reconhecia ser o autor desses livros e se ele estaria disposto a revogá-los. Sua resposta foi:
“Se eu não fui convencido pelos testemunhos das Escrituras e pelas claras bases sóbrias – pois não acredito nem no papa nem mesmo unicamente nos concílios, uma vez que estamos no dia em que eles erraram várias vezes e se contradisseram –, assim fui convencido em minha consciência pelas passagens das Escrituras Sagradas que mencionei e cativado na Palavra de Deus. Por isso não posso e não quero revogar nada, pois, fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável. Que Deus me ajude, amém!”.
       A afirmação-chave foi clara: Lutero considerava somente uma autoridade, isto é, a da Bíblia. Todos precisam se curvar diante dela, todos precisam se avaliar com base nela, mesmo o papa e os concílios. Já na 62ª tese das 95, Lutero havia afirmado: “O Evangelho é o verdadeiro tesouro da Igreja...”.

       Todavia, as teses foram escritas em latim e a intenção era que servissem de base para uma disputa científica entre colegas de ofício. Para o povo, Lutero escreveu o sermão sobre indulgência e graça no idioma alemão e ali consta a frase desrespeitada e problemática em referência às 18 teses formuladas no sermão: “Sobre esses pontos eu não tenho dúvida alguma e são suficientemente fundamentados na Escritura. Por isso vocês também não devem ter dúvidas. Deixem que os doutores escolásticos sejam escolásticos”.

       O que eliminou todas as dúvidas? Onde Lutero encontrou tal certeza? O que ele havia escrito estava “suficientemente fundamentado na Escritura”. Aquilo que lemos na Escritura é vinculante, e é “suficiente”, basta! Não há necessidade de saber mais do que isso. Assim, que os escolásticos, os mestres da igreja, ensinem o que quiserem. Essa frase continha teor explosivo que abalou o papado e o levou a ruir em vários países. Era uma frase com potencial ofensivo extremo: alguém estava afirmando que a Escritura seria a única norma a seguir. Isso foi um desafio aberto contra a obviedade do domínio absoluto da igreja do papa. Esta também reconhecia a autoridade da Bíblia. Além dela, no entanto, haveria mais duas fontes adicionais da verdade: as tradições e o ensino da igreja. E isso significava: a igreja decidia e determinava como a Bíblia deveria ser entendida. Essa tese, de que unicamente a Escritura determina e fundamenta a verdade, foi a que deu início ao processo de inquisição, o qual concluiu, primeiramente, que Lutero fosse banido pela igreja e, posteriormente, perdeu o reconhecimento diante do país.


       A igreja do papa reconhecia a autoridade da Bíblia. Além dela, no entanto, haveria mais duas fontes adicionais da verdade: as tradições e o ensino da igreja. E isso significava: a igreja decidia e determinava como a Bíblia deveria ser entendida. Esse foi o motivo do incômodo, e assim permaneceu até hoje: somente a Bíblia e a Bíblia para todas as questões. Essa verdade serviu de tropeço para os da era antiga, da nova, da moderna e da pós-moderna. Ela serve de tropeço para ateus e piedosos, para pensadores e para os que nunca pensam – para todos. Isso é algo insuportável para todos: uma verdade absoluta, ilimitada e imutável, disponível por escrito e formulada claramente, compreensível para todos. Somente a Bíblia e nada mais além dela.

       E para nós, o que significam essas verdades proclamadas por Lutero e também por Martin Bucer, Ulrico Zuínglio e Heinrich Bullinger, João Calvino e Guilherme Farel, John Knox, incluindo os anabatistas Balthasar Hubmaier, Michael Sattler, Menno Simons e outros pregadores do século XVI? Estamos vivendo numa época em que se procura igualar todas as diferenças entre as religiões e confissões. Vivemos em uma época em que se evita imediatamente assumir um posicionamento claro ao distinguir entre verdade e erro. Pertencemos a uma geração em que as igrejas protestantes fazem de tudo para ter boas relações com a igreja católica romana. Em 31 de outubro de 1999, teólogos protestantes e seus colegas católicos assinaram uma declaração, em Augsburgo, na qual ambas as confissões aparentemente creem e defendem a mesma doutrina sobre a justificação (...)

        (...) A pressão do espírito da época é imensa e a tendência ecumênica está cada vez mais forte. Quem se opõe a essa tendência é considerado inimigo do cristianismo, como inimigo da paz e, finalmente, como inimigo das pessoas. Pois hoje a ampla maioria acredita que todas as barreiras religiosas e das maneiras de ver o mundo deveriam ser rompidas e todas as diferenças separatistas deveriam ser igualadas. Considera-se que a Reforma provocou uma cisão na igreja e discussões dogmáticas que culminaram em guerras religiosas.

No entanto: o que diz a Escritura?
“Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e as intenções do coração” (Hb 4.12). “Deus é luz; nele não há treva alguma” (1Jo 1.5). “Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? Que acordo há entre o templo de Deus e os ídolos? Pois somos santuário do Deus vivo. Como disse Deus: ‘Habitarei com eles e entre eles andarei; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo’ Portanto, ‘saiam do meio deles e separem-se’, diz o Senhor. ‘Não toquem em coisas impuras, e eu os receberei’” (2Co 6.14-17). 
     Essas são divisões firmes, claras diferenças, ordens inequívocas. O evangelho é a Palavra de Deus e, assim, a única e exclusiva fonte da verdade. Somente na Bíblia a pessoa encontra a compreensão a respeito da salvação. Cristo é o Salvador das pessoas, e ninguém mais. Somente por meio da graça a pessoa recebe perdão, justificação e, assim, a vida. Sobre essas verdades comprovadas na Bíblia não existe barganha. Precisamos nos afastar de pessoas que não ensinam ou defendem essas verdades. Qual é a nossa resposta à herança da Reforma? Podemos responder à Reforma ao nos colocarmos decididamente contra as opiniões e poderes da época, do mesmo modo como os reformadores o fizeram. Ao contestarmos decididamente as ideias dos líderes da filosofia, da religião e da política. Quando estamos decididos a defender a verdade que Deus nos revela no Evangelho, a ensiná-la e a proclamá-la da maneira como Deus nos ajuda a fazê-lo. Essa é a ordem que recebemos.

       A Escritura é soberana. Tudo precisa se submeter ao seu julgamento. Tudo o que a Escritura ensina é a verdade coerente. O cristão verdadeiro reconhece, a exemplo do que fez Lutero em Worms, que ele “foi convencido pelo testemunho da Escritura”. E a Escritura comprova: Cristo o chamou, justificou e santificou. Em Cristo ele é uma nova criatura (2Co 5.17), uma criação de Deus (Ef 2.10). Não é ele quem vive agora, mas é Cristo quem vive nele (Gl 2.20). Ele foi “convencido em sua consciência, cativado na Palavra de Deus”. Ele foi convencido pela verdade de Deus e, assim, convencido, vencido e dominado pelo próprio Deus. Ele não mais pertence a si mesmo (1Co 6.19).
“Quando aquele um, que é maior do que Satanás, ataca e vence a este, então passamos ao domínio desse mais forte. Então igualmente seremos dominados, prisioneiros do Espírito Santo... Então, desejaremos e faremos de boa vontade aquilo que Deus quiser.”
      A doutrina tem prioridade, isto é, a verdade bíblica sobre Deus, a pessoa e a salvação. Lutero compreendia que tudo dependia da doutrina. Em seu trabalho e anseios ele não se preocupava com a decadência dos costumes e da perdição do clero romano e do papa, mas com a doutrina corrompida do sistema romano. Com a clareza própria de Lutero, ele declarou:
“A vida está ruim tanto para nós como para os do papa. Por isso, não discutimos por causa da vida, mas por causa da doutrina”.
       A doutrina era o que importava. É o que aprendemos da Bíblia. Depois que as pessoas se converteram após ouvirem a pregação do evangelho, no dia do Pentecostes, elas permaneceram firmes na doutrina dos apóstolos (At 2.42), pois a tarefa dos cristãos era pregar e defender o evangelho. A igreja é a coluna e o fundamento da verdade (1Tm 3.15). Ela existe para sustentar a verdade da salvação em Cristo e mantê-la efetivamente na doutrina e na pregação. Paulo escreveu a Timóteo: “Ordene e ensine essas coisas. Ninguém o despreze pelo fato de você ser jovem, mas seja um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza. Até a minha chegada, dedique-se à leitura pública da Escritura, à exortação e ao ensino... Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, agindo assim, você salvará tanto você mesmo quanto aos que o ouvem” (1Tm 4.11-16).

       Se a igreja não mantiver essas orientações, ela perdeu seu objetivo e perdeu a razão de ser. Ela se degenera tornando-se um “clube social” ou, como Martyn Lloyd Jones o definiu certa vez, uma associação de lazer. Ou se torna um fórum de discussões para troca de ideias sobre as múltiplas possibilidades da vida religiosa e de estilos de vida piedosa, o que seria uma das características de nossa civilização. Uma igreja dessas vendeu sua alma, tornou-se uma prostituta espiritual. São essas as alternativas. Nós, que pertencemos à noiva eleita de Cristo, permanecemos firmes no evangelho de Deus, nos separamos de todos que diluem, adaptam e reinterpretam o evangelho. O próprio Deus nos ordenou:
“Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? Que acordo há entre o templo de Deus e os ídolos?” (2Co 6.14-16).
       Ou seguimos com crescente anseio em direção ao grande dia das bodas do Cordeiro, ou adaptaremos o evangelho ao gosto das pessoas e praticamos prostituição com o príncipe dessa era. A grande prostituta será condenada nos juízos que em breve se abaterão sobre o globo terrestre.

       A doutrina precisa ser pregada. A verdade sobre a salvação em Cristo precisa ser divulgada. Foi Deus que determinou isso, que a justificação ocorre somente por meio de Cristo e somente pela fé. Por essa razão, Cristo e a salvação conquistada por ele na cruz precisam ser proclamados; pois Deus providenciou a Palavra como o único meio que proporciona a salvação: “Consequentemente, a fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo” (Rm 10.17; cf. Jo 17.20). Heiko Oberman escreveu na biografia sobre Lutero: “A Reforma conseguiu penetrar tão profundamente no povo porque Lutero descobriu uma surpreendente consequência do princípio da Escritura: ela precisa ser pregada”.

     Em seus escritos “Contra os Profetas Celestes”, de 1525, Lutero escreveu sobre a necessidade de proclamar a Palavra: “A Palavra, a Palavra, a Palavra o faz. Mesmo que Cristo fosse entregue e crucificado mil vezes em nosso lugar, tudo seria em vão se a Palavra de Deus não tivesse vindo, repartido comigo e me presenteado, e tivesse dito: isso é para você; tome-o e guarde-o para si”.

       A Palavra de Deus e a verdade estão sempre em oposição aos desejos das pessoas. Por isso surgem lutas. Precisamos, no entanto, tentar compreender o efeito da resposta de Lutero diante do parlamento. Ela foi um prenúncio de luta, uma declaração de guerra contra a ordem que estava em vigor desde o início da Idade Média: a igreja era representante do céu e o imperador era responsável pelo governo do mundo. O que o mundo deseja é ordem, paz e bem-estar, mas ele quer tudo isso sem Deus, e sem a sua verdade. Lutero falou as seguintes palavras contra isso diante do parlamento reunido:
“Para mim... de todos os aspectos, o mais aceitável é que surgem ciúmes e brigas por causa da Palavra de Deus. Aliás, essa é a tendência, o efeito da Palavra de Deus conforme o próprio Cristo diz: eu não vim para trazer paz, mas espada”.
       O que o mundo deseja é ordem, paz e bem-estar, mas ele quer tudo isso sem Deus, e sem a sua verdade. Acontece que a Palavra de Cristo, o evangelho da salvação, é a espada, e isso transforma em inimigos os membros da uma mesma família, e os que até então eram amigos em opositores. No entanto, esta Palavra é o poder de Deus para a salvação. Por isso ela deve ser testificada, mesmo que isso conduza inexoravelmente à indignação e controvérsia. 

       Quatro anos após os acontecimentos em Worms, Lutero escreveu para Erasmo, esse intelectual proeminente que sabia equilibrar tudo respeitosamente, a esse talvez maior humanista que se esforçava ao máximo para não causar brigas e inquietações:
“Com o seu conselho, você [Erasmo] pretende determinar que, por consideração ao papa e aos maiorais ou em favor da paz na terra, deixemos temporariamente de proclamar a verdade. [...] Você não leu ou não observou que desde sempre o destino da verdade foi de causar revolução no mundo? Foi isso que também Cristo afirmou, quando disse abertamente: ‘Não vim trazer paz, mas espada’ (Mt 10.34). E mais: ‘Vim trazer fogo à terra, e como gostaria que já estivesse aceso!’ (Lc 12.49). [...] Leia em Atos dos Apóstolos! Veja tudo o que aconteceu apenas porque Paulo pregou! O quanto esse homem conseguiu motivar gentios e judeus! O quanto ele movimentou toda a terra! Foi o que disseram até os seus inimigos (At 17.6)”.
       Devemos manter a verdade escondida somente para que tenhamos calmaria e para salvar a paz no mundo? Trata-se da única mensagem de salvação; trata-se do destino de almas; trata-se, acima de tudo, da glória de Deus. Lutero sabia o que dizer se fosse acusado diante do parlamento, e ele sabia claramente das devidas consequências. No dia 29 de dezembro de 1520, ele escreveu para Georg Spalatin:
“Um chamado do imperador significa que sou chamado por Deus. E mais: se eles usarem de violência contra mim, o que é muito provável, [...] então preciso confiar tudo às mãos do Senhor. [...] Nesse caso não se pode levar em conta o perigo ou bem-estar; nesse caso permanece uma só preocupação: que nós não nos descuidemos do evangelho com o qual aqui comparecemos, permitindo que sejamos zombados pelos ímpios, que não demos motivo de vitória para nossos inimigos como se não ousássemos professar livremente nossa doutrina, que não tenhamos medo de derramar nosso sangue em favor do evangelho. Que Cristo, em sua misericórdia, nos resguarde de tal covardia e de uma tal vitória deles. Amém!”.
       Quando Lutero esteve diante do imperador, ele sabia que este precisaria apenas falar uma palavra e o herege seria preso e encaminhado para Roma. E isso teria sido o seu fim. Cremos que somente a Bíblia é a Palavra de Deus e que somente o evangelho de Deus é o poder de Deus para a salvação? Se for assim, então também estamos dispostos a pôr nossa cabeça a prêmio por ela. Todos os servos de Deus precisaram enfrentar a batalha pela verdade da Bíblia e do evangelho bíblico. Vejamos isso rapidamente na vida de John Knox, Heinrich Bullinger e do pastor Wilhelm Busch.

       John Knox, o reformador na Escócia, nasceu em 1514 e faleceu em 1572. Pelas suas incansáveis viagens e pregações através de todos os recantos da Escócia, a Reforma se espalhou e, em 1560, a igreja escocesa assumiu uma confissão de fé reformada na Confessio Scoticana. A Escócia se tornou um Estado protestante. Todavia, havia inimigos convictos contra a Reforma. Maria Stuart foi da França para a Escócia a fim de, na condição de rainha, reintroduzir a fé católico romana. No dia 24 de agosto de 1561, em seu primeiro domingo em solo escocês, ela mandou celebrar a missa no Palácio de Holyrood, em Edimburgo. Diante disso, John Knox não conseguiu se calar; na primeira oportunidade, “no domingo após o primeiro ato da monarquia em Holyrood, os moradores de Edimburgo ouviram o sonoro tom de fanfarra da sua voz, falando do púlpito: "Uma missa é mais terrível do que se o reino tivesse sido invadido por dez mil inimigos armados".

        A ideia de Knox a respeito da missa ele já havia inserido na Confessio Scoticana, a confissão de fé escocesa. Ali, no capítulo 23, consta: “Essa doutrina é uma ofensa a Cristo Jesus e uma negação da suficiência do seu sacrifício salvador único [...] por esse motivo nós a detestamos ao máximo, a odiamos e a rejeitamos”. Toda a sua vida estava marcada por testemunhos de alerta contra a missa: “Quero prestar contas por constantemente explicar que a missa é, e sempre foi, um culto idólatra e uma abominação [...] a idolatria mais abominável praticada desde o início do mundo”.

     Joseph Chambon avalia a julgamento do reformador escocês com as seguintes palavras: “A ideia de que uma pessoa possa se atrever [...] por meios próprios, tornar concreto o Santo Deus em Cristo, para adoração dessa substância pela igreja, para constantemente repetir a morte vicária de Cristo na cruz em todo seu valor e efeito através dessa matéria, faz com que seu sangue ferva incessantemente. Para definir a vida de Knox se poderia escrever: ‘O zelo pela tua casa me consome’. O fato de que o protestantismo de nossos dias mal compreende o horror diante da missa, ou é algo que fala em favor da missa, a qual não se modificou, ou fala contra o protestantismo, que estaria modificado”. Knox foi imediatamente acusado perante a rainha e convocado a se responsabilizar. (...) Resultado: ódio incansável e mortal dessa fina dama contra um pregador do evangelho. Ela tentou, por todos os meios, eliminá-lo do mundo. No entanto, nada deteve John Knox. Por isso Joseph Chambon fala da “vontade quase terrivelmente imprevisível e obstinada do homem John Knox em varrer a falsa doutrina romana e de implantar a fé evangélica para a salvação em todo o país”.

       Lancemos o olhar sobre o segundo centro de Reforma, em Zurique. Heinrich Bullinger (1504-1575) era o colaborador 20 anos mais jovem de Ulrico Zuínglio. Após a morte deste, continuou com a implantação da Reforma e a consolidou. Em 1567, nove anos antes de sua morte, publicou uma detalhada apresentação da Reforma na Suíça, sob o título “História da Reforma”. No prefácio, ele escreveu as seguintes frases sobre o objetivo de sua “História da Reforma”:
“Aqui o leitor [...] verá claramente o que a cidade de Zurique suportou em termos de trabalho, agitação, custos, medo e dificuldades antes da Palavra divina ou a proclamação do santo evangelho ter sido amplamente divulgado na confederação. [...] O leitor encontrará muitas obras maravilhosas de Deus, principalmente a tremenda luta da verdadeira religião contra a falsa, assim como também conhecerá as duas. Além disso, quem tem um coração sério [...] vai adquirir e carregar uma eterna animosidade contra a falsa religião”.
      Por fim, um exemplo de épocas mais recentes. O pastor evangélico Wilhelm Busch (1897-1966) era um dos poucos cristãos a exercer oposição ao Partido Nacional Socialista. Em 1935, ele escreveu um panfleto com o título: “A Tua Palavra é a Resistência do Nosso Coração: Um alerta para a cristandade evangélica”. Entre outros, nele constava o seguinte:
“A verdadeira igreja de Jesus Cristo não é uma companhia de seguros, mas um acampamento militar. [...] Novamente surgiram forças de paganismo entre nosso povo e que enfrentam o evangelho. [...] Um novo paganismo se levanta como uma tempestade, cheio de ódio contra o evangelho da Bíblia. [...] Nós, no entanto, atacamos o paganismo moderno. Por quê? Atacamos o paganismo por causa de sua idolatria”.
     Busch foi intimado pela Gestapo. No dia 17 de maio de 1935 ele declarou para o protocolo da Gestapo: “Eu redigi o folheto ‘A Tua Palavra é a Resistência do Nosso Coração’ porque, como pregador da Palavra de Deus, estou comprometido em alertar nossas igrejas contra todas as doutrinas de homens, que as afastam de Cristo”.

       O evangelho nos transforma em escravos de Deus. Enquanto éramos pecadores não estávamos livres; também como redimidos não somos livres. Enquanto éramos pecadores, estávamos presos no pecado e na morte e, assim, estávamos livres da justiça (Rm 6.20). Sendo salvos, estamos libertos do pecado e da morte e, assim, escravos da justiça (Rm 6.18). Sendo escravos de Cristo, temos a obrigação de obedecê-lo. Temos a obrigação hoje perante o povo de Deus de guardar, defender e ensinar a verdade do evangelho, aconteça o que acontecer. Hoje temos a obrigação, diante de nossos concidadãos, de lhes transmitir a mensagem salvadora da redenção de modo legítimo e sem cortes. E isso significa: Sola scriptura; o que, por sua vez, significa: a Escritura é inequívoca, a Escritura é clara, a Escritura é suficiente e a Escritura é eficaz. O que impulsionou os testemunhos da época da Reforma e um pastor Wilhelm Busch, e o que deve nos impulsionar, é o imenso e insuperável anseio:

Soli Deo gloria! – A Glória seja dada unicamente a Deus! — Benedikt Peters

Via: Chamada

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Igreja Episcopal celebra primeiro casamento gay em templo

     Ativistas LGBTs ao redor do mundo comemoraram o que consideram uma vitória no campo da luta pelos seus direitos. Peter Matthews e Alistair Dinnie foram os primeiros homossexuais a se casarem em uma igreja evangélica no Reino Unido. A união foi oficializada no início deste mês, em Edimburgo, dentro nas novas diretrizes da lei canônica da Igreja Episcopal Escocesa. Houve ainda celebrações de casamento entre pessoas do mesmo sexo em igrejas nas cidades de Glasgow e Moray.

       A Igreja Episcopal aprovou em junho que casais homoafetivos pudesse se “casar” na igreja durante seu Sínodo Geral. O reverendo Markus Dunzkofer, afirmou que foi um “privilégio e uma honra” oficializar os laços de Peter e Alistair.

“Estou encantado que os dois se uniram e queriam um casamento na igreja. Isso incentivou não só a mim, mas a muitos membros da congregação”, afirmou o reverendo, que já havia dado a benção a duplas gays, mas era proibido até recentemente de formalizar a união com o “ritual completo”.

         A igreja episcopal, um ramo liberal da comunhão Anglicana e maior denominação do Reino Unido, retirou a cláusula doutrinária que definia casamento como “união de um homem e uma mulher”. A nova redação da lei canônica garante, porém que “o clero que não desejar realizar casamentos do mesmo sexo, não será obrigado a fazê-lo contra sua consciência”.

     A decisão escocesa teve repercussões em igrejas episcopais de vários países, encontrando oposição apenas em um grupo minoritário, sobretudo de líderes africanos. Dentro da denominação o assunto é debatido há anos e contou com uma campanha liderada por bispos anglicanos que, defendendo uma teologia liberal e inclusiva, se revelaram verdadeiros ativistas da causa LGBT. 

Com informações Telegraph

Nota do Blog: Infelizmente, essa é somente uma das consequências em se abraçar o Liberalismo Teológico.  Interpretar as Escrituras sob esse viés demoníaco, abre precedentes para que esse tipo de distorção aconteça. É muito triste ver denominações históricas sucumbindo á essas aberrações teológicas e se rendendo á uma agenda global que fere os princípios do cristianismo. Lamentável. Maranata!

Veja também: 







sábado, 23 de setembro de 2017

O que Acontecerá em 23 de Setembro de 2017?

     Muitas pessoas estão angustiadas: “Alguma coisa grandiosa acontecerá”. No dia 23 de setembro de 2017 o mundo visível deverá ser atingido por um alinhamento de corpos celestes, que acontece somente a cada 7.000 anos e que coincide exatamente com a visão relatada em Apocalipse 12! Pelo menos é o que os especialistas em assuntos do fim dos tempos e de profecias proclamam no YouTube. A maioria dos adivinhos online se mantém com reservas sobre o que exatamente acontecerá vinculado a esse grande sinal no céu. Entretanto, nota-se que os intérpretes de sinais nesse ponto estão unânimes. Os profetas da internet mais ousados se reportam a um monge, chamado Hepidanus, que viveu por volta de 1080 no mosteiro São Galo (Suíça), o qual teria profetizado que, após o dia 23 de setembro de 2017, na sequência do aparecimento desse grande sinal no céu, irromperia uma guerra devastadora.

       Apocalipse 12 relata a seguinte visão: “Apareceu no céu um sinal extraordinário: uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. Ela estava grávida e gritava de dor, pois estava para dar à luz. Então apareceu no céu outro sinal: um enorme dragão vermelho com sete cabeças e dez chifres, tendo sobre as cabeças sete coroas. Sua cauda arrastou consigo um terço das estrelas do céu, lançando-as na terra. O dragão pôs-se diante da mulher que estava para dar à luz, para devorar o seu filho no momento em que nascesse. Ela deu à luz um filho, um homem, que governará todas as nações com cetro de ferro. Seu filho foi arrebatado para junto de Deus e de seu trono” (v. 1-5).

       De fato, é impressionante o que os profetas online do fim dos tempos compilaram em relação a esses versículos. Christopher M. Graney, professor de física e astronomia do Jefferson Community & Technical College, em Louisville, Kentucky (EUA), resume a mensagem espetacular deles nas seguintes palavras:
“No dia 23 de setembro de 2017 o Sol aparecerá na constelação Virgem – ‘uma mulher vestida do sol’. A Lua estará abaixo do Sol – ‘com a lua debaixo dos seus pés’. As ‘nove’ estrelas da constelação Leão mais três planetas (Mercúrio, Vênus e Marte) aparecerão sobre a cabeça da mulher – ‘uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça’. O planeta Júpiter aparecerá ao centro da constelação da mulher, e quando a semana após o 23 de setembro tiver passado, ele se afastará da mulher em direção ao Leste, praticamente passando por seus pés – ‘Ela estava grávida e gritava de dor, pois estava para dar à luz’. Júpiter é o maior entre os planetas, ou o ‘rei’ dos planetas – ‘Ela deu à luz um filho, um homem, que governará todas as nações com cetro de ferro’. Esse não deve ser um sinal de algo maior, conforme dizem as fontes da internet?”
A resposta mais direta, honesta e cristã é: não.

       Naturalmente, no dia 23 de setembro poderia ocorrer qualquer acontecimento. Praticamente a cada dia acontece algo espetacular. É o fim dos tempos, e isso já há 2.000 anos (1Coríntios 10.11; Hebreus 9.26; 1Pedro 1.20). Sem dúvida alguma, os dias finais estão se afunilando (ver 2Timóteo 3.1-9). O prognóstico de que em breve haverá uma guerra devastadora infelizmente não pode ser desconsiderado. Estamos vivendo tempos turbulentos. Se hoje alguém disser, mesmo sem muita convicção: “No dia ‘tal’ acontecerá algo grandioso”, normalmente no dia “tal” ele poderá escolher entre as numerosas manchetes aquilo que mais lhe agradar como “cumprimento”.

       O problema referente às especulações sobre o 23 de setembro é: a teoria desse extraordinário acontecimento no céu, que supostamente acontece a cada 7.000 anos (ou a cada 6.000 anos, de acordo com o periódico Quelle), simplesmente não confere. Ela é falsa. Fake news. Uma mentira. Trata-se da mesma tolice daquele sinistro Planeta X, que causaria o fim do mundo no ano de 2012 ou da tétrade da Lua de Sangue, que teria ligação com algum evento fantástico. Assustador, no entanto, é ver muitos crentes – principalmente os fundamentalistas de “nossos” círculos – que mais uma vez embarcaram no trem em movimento das falsas profecias e que propagam a lenda dos grandes sinais celestes e dos grandes acontecimentos no dia 23 de setembro. Sem qualquer constrangimento, os piedosos “viajam” no âmbito do esoterismo e do ocultismo, citam quaisquer rabinos inimigos de Cristo, referem-se a misteriosos monges cuja existência é questionável e, assim, consideram-se como grandes intérpretes dos sinais dos tempos. Muitas vezes são esses cristãos que atacam as fantasias como O Senhor dos Anéis, Harry Potter e Nárnia, mas eles mesmos não têm escrúpulos para basear suas teorias apoiados em intérpretes de sinais das estrelas e de agentes do ocultismo.

       Christopher M. Graney, que de fato é um cientista e astrônomo, empenhou-se em pesquisar mais a fundo sobre essa questão. Ele leciona em uma faculdade católica. Quem aprecia as teorias conspiratórias, agora naturalmente poderia acusá-lo de fazer parte do sistema que pretende encobrir a verdade, com observações como: “Talvez ele seja maçom ou illuminati”, ou “Os jesuítas fizeram uma lavagem cerebral com ele”. Todavia, na página inicial de vofoundation.org ele apresenta fatos de peso que não podem simplesmente ser considerados “fatos alternativos”.

       Primeiro: em função da rotação da Terra, o Sol passa a cada ano por todas as doze constelações estelares. Dito com outras palavras: a cada ano, no mês de setembro, o Sol aparece na constelação Virgem. Segundo: a Lua também percorre seu ciclo uma vez ao mês. Também ela passa mensalmente por cada constelação. Ou seja: a cada ano há um ou dois dias em que o Sol está na constelação “Virgem” e a Lua está ao leste dela (“sob seus pés”). Isso significa que “uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés” é algo tão “raro” como o Dia da Independência do Brasil em setembro: essa aparição celeste acontece a cada ano.

“Certo, certo”, dizem os profetas online, “isso está claro. O que dizer, porém, da inexplicável e extraordinária coroa com doze estrelas?” Aqui temos então o grande problema para os intérpretes estelares da internet: essa coroa não existe.

      Na constelação de Leão, que supostamente deveria conter “doze estrelas”, há muito mais estrelas! As nove estrelas preferidas dos profetas do YouTube estão entre as mais brilhantes, mas de longe não são as únicas (e quem pode determinar se uma estrela não tem mais a luminosidade e importância necessárias?). Muitas vezes essas nove estrelas, em virtude de seu posicionamento, são utilizadas para identificar a constelação de Leão. No entanto, essa é uma prática bastante arbitrária. Outras representações “oficiais” da constelação de Leão, por exemplo, utilizam dez estrelas como delimitadoras – assim a coroa seria composta de 13 “estrelas” (dez estrelas mais três planetas). A simples verdade é: “Há muitas estrelas em Leão e ao redor da ‘cabeça’ em Virgem”. Assim, a mulher no céu já está coroada com muitas estrelas. A teoria das estrelas com mais três planetas não se sustenta.

       Todavia, o que faz os profetas da internet ficarem tão “fora da casinha”, apesar desses fatos aparentemente conhecidos, é a combinação dos planetas. Esse é o ponto crítico. Vários planetas junto à cabeça da mulher com o planeta Júpiter ao centro, enquanto a Lua aparece simultaneamente sob os pés dela – sim, isso realmente é algo bastante raro. O crucial, porém, é: a despeito das muitas estrelas que na verdade “coroam” a cabeça da mulher, essa rara aparição não tem relação alguma com a figura relatada em Apocalipse 12 (caso se queira acreditar que Apocalipse 12 trate apenas de sinais nas estrelas).

       Visto por esse ângulo, no dia 23 de setembro de 2017 haverá uma manifestação especial no céu, mas, diante dos fatos recém-enumerados, mesmo com a melhor boa vontade ela não pode ser vinculada a Apocalipse 12. Acrescenta-se ainda que essa aparição não é tão rara como os promotores sensacionalistas anunciam no YouTube. A afirmação de que essa aparição celeste seja “única” ou que aconteça a cada 7.000 anos não confere. O professor Graney pesquisou um período de 1.000 anos e constatou que essa configuração apareceu no céu “em setembro de 1827, em setembro de 1483, em setembro de 1293 e em setembro de 1056”. Se ele tivesse retrocedido ainda mais, certamente teria encontrado mais dessas aparições. Naturalmente alguém poderia agora mergulhar nos livros de história e pesquisar alguns acontecimentos empolgantes daqueles anos que os céus de setembro teriam então profetizado. No entanto, de acordo com Graney, não é assim que funciona a interpretação estelar. “Uma pessoa lê seu horóscopo diário, que diz: ‘hoje haverá obstáculos no caminho’. Então essa pessoa lembra os momentos em que esteve retida no trânsito ou na fila do supermercado, ou qualquer outra situação semelhante e dirá: ‘o horóscopo tinha razão’, mesmo que essas coisas aconteçam a cada dia”.

       O dr. Danny R. Faulkner, um físico e astrônomo cristão conservador, que trabalha para a missão Answers in Genesis [Respostas em Gênesis], chega às mesmas conclusões, independentemente do professor Graney. Ele também ressalta que a afirmação das 9 estrelas da constelação de Leão é “falsa”. Além disso, ele aponta para a realidade visível no céu. Ele escreve que constantemente são mencionados os pés da Virgem, mas que “Mesmo conhecendo muito bem a [constelação] Virgem, eu nunca consegui ver uma mulher no céu, de modo que mal posso afirmar em que lugar deveriam estar seus pés, e eu duvido que qualquer outra pessoa possa fazê-lo”.

       Por que isso é importante? Porque Gênesis 1.14 diz que Deus colocou luminares no céu como sinais. Sinais, porém, precisam ser óbvios. A imagem da mulher deveria ser facilmente identificável. E deveria ser possível vê-la completamente. No entanto, se o Sol estiver na constelação de Virgem, então “nenhuma de suas estrelas será visível”. O dr. Faulkner escreve sobre os três planetas que aparecem na constelação de Leão:
“Eles serão visíveis cedo na manhã desse dia, mas todos estarão ao fundo, no Sudeste do céu. Vênus é bastante claro, de modo que pode ser facilmente reconhecido; no entanto, isso não ocorre com Marte e Mercúrio, pois esses serão muito mais opacos, e eles não surgirão antes do início da madrugada. A tênue meia-lua será visível à noite, longe a Sudoeste. Júpiter poderia estar mais visível lá no Sudoeste, mas será difícil porque ele desaparecerá antes do anoitecer. Isso significa: nem todos esses ‘sinais’ serão visíveis, e aquilo que será visível não o será na mesma hora. Enquanto esse acontecimento possa parecer lindo numa tela de computador, Deus colocou ‘os luminares no firmamento do céu’ (não em telas de computador) para que sirvam de sinais”.
       O dr. Faulkner está correto ao dizer que as pessoas enxergam somente aquilo que elas querem nas aparições no céu (conforme ocorre nos testes de Rorschach). Assim, por exemplo, não é um princípio bíblico equiparar Júpiter a uma criança ou até ao Messias Jesus Cristo. E o que desde o início deveria ser a “pá de cal” para essa teoria fantasiosa é: Apocalipse 12 não trata de quaisquer sinais no céu em nosso tempo, mas João está enxergando uma visão fortemente figurativa e salvadora a respeito do povo de Deus, Israel (a mulher) que, sob fortes dores de parto, dá à luz ao Messias, sob a espreita do Diabo (e isso já aconteceu!). Seria algo muito fraco se apenas observássemos figuras celestes (ímpias) e, a seguir, sem qualquer base válida, baseássemos uma aparição no céu nessa representação simbólica.

René Malgo - Chamada