quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Nossa Resposta à Reforma

Várias igrejas e organizações têm ideias diferentes
 sobre como os cristãos devem se portar no ano da Reforma.
Qual deve ser a reação aos 500 anos de Reforma?
      Nesse ano recordamos o grande reavivamento espiritual que Deus concedeu em vários países da Europa, há 500 anos. Por que o fazemos? A antiga história do povo de Israel responde a essa pergunta, em Juízes 2.6-11. Quando o povo de Deus esquece as grandes obras de salvação, esquece também de Deus e recai no paganismo e na idolatria. Isso ocorreu no cristianismo protestante, que não sabe mais nada ou não quer saber das grandes obras de Deus à época da Reforma.

 “Combata o bom combate da fé... guarde o que foi confiado a você” (1Tm 6.12,20). “Portanto, não se envergonhe de testemunhar do Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro dele, mas suporte comigo os sofrimentos pelo evangelho, segundo o poder de Deus” (2Tm 1.8). “Eu os estou enviando como ovelhas no meio de lobos. Portanto, sejam astutos como as serpentes e sem malícia como as pombas. Tenham cuidado, pois os homens os entregarão aos tribunais e os açoitarão nas sinagogas deles. Por minha causa vocês serão levados à presença de governadores e reis como testemunhas a eles e aos gentios” (Mt 10.16-18).

         No dia 18 de abril de 1521, um monge agostiniano de 38 anos de idade estava diante do rei do Sacro Império Romano da nação alemã, juntamente com os maiorais do reino e dignitários da igreja, e falou as seguintes palavras:
“Se eu não fui convencido pelos testemunhos das Escrituras e pelas claras bases sóbrias – pois não acredito nem no papa nem mesmo unicamente nos concílios, uma vez que estamos no dia em que eles erraram várias vezes e se contradisseram –, assim fui convencido em minha consciência pelas passagens das Escrituras Sagradas que mencionei e cativado na Palavra de Deus. Por isso não posso e não quero revogar nada, pois, fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável”.
      Enquanto o monge Martinho Lutero comparecia diante do parlamento, os olhos de toda a Alemanha estavam voltados para ele. Todos queriam saber como o monge se derrotaria. Quando ele pronunciou as palavras anteriormente citadas, houve a deflagração daquele movimento espiritual que denominamos “Reforma”, do reavivamento espiritual como o cristianismo jamais havia visto desde a primeira geração de cristãos. Esse “minuto de agitação mundial”, ao olharmos retrospectivamente, foi a hora decisiva da Reforma para o reavivamento bíblico que abalou todos os países da Europa e alterou alguns em suas bases. O que levou o monge Martinho Lutero, doutor em teologia, professor da Universidade de Wittenberg, a defender seu posicionamento diante das Escrituras diante do rei do Império?
Em 1517 Lutero fixou suas famosas 95 teses na
porta da catedral de Wittenberg.

    Em 1517, Lutero havia fixado suas famosas 95 teses na porta da catedral de Wittenberg. Ele também enviou essas teses ao cardeal Albrecht, de Mainz, assessor de Tetzel, incluindo o sermão sobre graça e indulgência. Nesse ele afirmou resumindo: “Sobre esses pontos eu não tenho dúvida alguma e são suficientemente fundamentados na Escritura”. O cardeal Albrecht encaminhou os documentos para Roma. Um ano após a publicação das teses, Lutero foi convocado para um interrogatório em Augsburgo (outubro de 1518). O cardeal Caetano, que havia sido encarregado pelo papa, exigiu: “Revoca! Revoca! – Revogue!”. Mas Lutero não conseguiu pronunciar as seis letras REVOCO. Ele permaneceu firme nas provas das Escrituras.

       Nove meses depois, aconteceu a discussão com o dr. Eck, em Leipzig (junho-julho de 1519). Nessa ocasião, Lutero respondeu à respectiva questão de que ele não reconhecia a autoridade do papa nem dos concílios. Essa foi a consequência obrigatória em razão do que ele havia escrito no seu sermão sobre graça e indulgência. Lutero já então havia assinalado o desvio e não podia nem desejava retroceder: somente a Escritura é a fonte da verdade e o direcionamento para a fé e para a vida. Em 1520 surgiram os textos de Lutero: “Sobre o Papado em Roma”, “À Aristocracia Cristã da Nação Alemã”, “Sobre o Cativeiro Babilônico da Igreja”, “Sobre a Liberdade de Uma Pessoa Cristã”, sendo que todos eles, com base somente na autoridade da Escritura, rejeitam a autoridade do papa e ensinam sobre a justificação pela fé. Em junho de 1520 Lutero recebeu a bula de exortação e condenação “Exsurge Domine”: “Levanta-te, ó Senhor, e julgue a tua causa, as raposas procuram destruir a tua vinha e um javali especialmente selvagem é quem a cuida”.

        No dia 10 de dezembro de 1520 Lutero queimou a bula diante do Portão de Elster, em Wittenberg. Em janeiro de 1521 ele recebeu a segunda bula condenatória “Decet Romanum Pontificem”. Diante de tudo isso, Lutero foi intimado pelo parlamento. Na noite de 18 de abril de 1521 ele compareceu diante do parlamento em Worms. Os livros, que haviam sido escritos por Lutero e que haviam sido lidos por toda a Alemanha, estavam expostos em uma mesa e Lutero foi obrigado a responder se ele reconhecia ser o autor desses livros e se ele estaria disposto a revogá-los. Sua resposta foi:
“Se eu não fui convencido pelos testemunhos das Escrituras e pelas claras bases sóbrias – pois não acredito nem no papa nem mesmo unicamente nos concílios, uma vez que estamos no dia em que eles erraram várias vezes e se contradisseram –, assim fui convencido em minha consciência pelas passagens das Escrituras Sagradas que mencionei e cativado na Palavra de Deus. Por isso não posso e não quero revogar nada, pois, fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável. Que Deus me ajude, amém!”.
       A afirmação-chave foi clara: Lutero considerava somente uma autoridade, isto é, a da Bíblia. Todos precisam se curvar diante dela, todos precisam se avaliar com base nela, mesmo o papa e os concílios. Já na 62ª tese das 95, Lutero havia afirmado: “O Evangelho é o verdadeiro tesouro da Igreja...”.

       Todavia, as teses foram escritas em latim e a intenção era que servissem de base para uma disputa científica entre colegas de ofício. Para o povo, Lutero escreveu o sermão sobre indulgência e graça no idioma alemão e ali consta a frase desrespeitada e problemática em referência às 18 teses formuladas no sermão: “Sobre esses pontos eu não tenho dúvida alguma e são suficientemente fundamentados na Escritura. Por isso vocês também não devem ter dúvidas. Deixem que os doutores escolásticos sejam escolásticos”.

       O que eliminou todas as dúvidas? Onde Lutero encontrou tal certeza? O que ele havia escrito estava “suficientemente fundamentado na Escritura”. Aquilo que lemos na Escritura é vinculante, e é “suficiente”, basta! Não há necessidade de saber mais do que isso. Assim, que os escolásticos, os mestres da igreja, ensinem o que quiserem. Essa frase continha teor explosivo que abalou o papado e o levou a ruir em vários países. Era uma frase com potencial ofensivo extremo: alguém estava afirmando que a Escritura seria a única norma a seguir. Isso foi um desafio aberto contra a obviedade do domínio absoluto da igreja do papa. Esta também reconhecia a autoridade da Bíblia. Além dela, no entanto, haveria mais duas fontes adicionais da verdade: as tradições e o ensino da igreja. E isso significava: a igreja decidia e determinava como a Bíblia deveria ser entendida. Essa tese, de que unicamente a Escritura determina e fundamenta a verdade, foi a que deu início ao processo de inquisição, o qual concluiu, primeiramente, que Lutero fosse banido pela igreja e, posteriormente, perdeu o reconhecimento diante do país.


       A igreja do papa reconhecia a autoridade da Bíblia. Além dela, no entanto, haveria mais duas fontes adicionais da verdade: as tradições e o ensino da igreja. E isso significava: a igreja decidia e determinava como a Bíblia deveria ser entendida. Esse foi o motivo do incômodo, e assim permaneceu até hoje: somente a Bíblia e a Bíblia para todas as questões. Essa verdade serviu de tropeço para os da era antiga, da nova, da moderna e da pós-moderna. Ela serve de tropeço para ateus e piedosos, para pensadores e para os que nunca pensam – para todos. Isso é algo insuportável para todos: uma verdade absoluta, ilimitada e imutável, disponível por escrito e formulada claramente, compreensível para todos. Somente a Bíblia e nada mais além dela.

       E para nós, o que significam essas verdades proclamadas por Lutero e também por Martin Bucer, Ulrico Zuínglio e Heinrich Bullinger, João Calvino e Guilherme Farel, John Knox, incluindo os anabatistas Balthasar Hubmaier, Michael Sattler, Menno Simons e outros pregadores do século XVI? Estamos vivendo numa época em que se procura igualar todas as diferenças entre as religiões e confissões. Vivemos em uma época em que se evita imediatamente assumir um posicionamento claro ao distinguir entre verdade e erro. Pertencemos a uma geração em que as igrejas protestantes fazem de tudo para ter boas relações com a igreja católica romana. Em 31 de outubro de 1999, teólogos protestantes e seus colegas católicos assinaram uma declaração, em Augsburgo, na qual ambas as confissões aparentemente creem e defendem a mesma doutrina sobre a justificação (...)

        (...) A pressão do espírito da época é imensa e a tendência ecumênica está cada vez mais forte. Quem se opõe a essa tendência é considerado inimigo do cristianismo, como inimigo da paz e, finalmente, como inimigo das pessoas. Pois hoje a ampla maioria acredita que todas as barreiras religiosas e das maneiras de ver o mundo deveriam ser rompidas e todas as diferenças separatistas deveriam ser igualadas. Considera-se que a Reforma provocou uma cisão na igreja e discussões dogmáticas que culminaram em guerras religiosas.

No entanto: o que diz a Escritura?
“Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e as intenções do coração” (Hb 4.12). “Deus é luz; nele não há treva alguma” (1Jo 1.5). “Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? Que acordo há entre o templo de Deus e os ídolos? Pois somos santuário do Deus vivo. Como disse Deus: ‘Habitarei com eles e entre eles andarei; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo’ Portanto, ‘saiam do meio deles e separem-se’, diz o Senhor. ‘Não toquem em coisas impuras, e eu os receberei’” (2Co 6.14-17). 
     Essas são divisões firmes, claras diferenças, ordens inequívocas. O evangelho é a Palavra de Deus e, assim, a única e exclusiva fonte da verdade. Somente na Bíblia a pessoa encontra a compreensão a respeito da salvação. Cristo é o Salvador das pessoas, e ninguém mais. Somente por meio da graça a pessoa recebe perdão, justificação e, assim, a vida. Sobre essas verdades comprovadas na Bíblia não existe barganha. Precisamos nos afastar de pessoas que não ensinam ou defendem essas verdades. Qual é a nossa resposta à herança da Reforma? Podemos responder à Reforma ao nos colocarmos decididamente contra as opiniões e poderes da época, do mesmo modo como os reformadores o fizeram. Ao contestarmos decididamente as ideias dos líderes da filosofia, da religião e da política. Quando estamos decididos a defender a verdade que Deus nos revela no Evangelho, a ensiná-la e a proclamá-la da maneira como Deus nos ajuda a fazê-lo. Essa é a ordem que recebemos.

       A Escritura é soberana. Tudo precisa se submeter ao seu julgamento. Tudo o que a Escritura ensina é a verdade coerente. O cristão verdadeiro reconhece, a exemplo do que fez Lutero em Worms, que ele “foi convencido pelo testemunho da Escritura”. E a Escritura comprova: Cristo o chamou, justificou e santificou. Em Cristo ele é uma nova criatura (2Co 5.17), uma criação de Deus (Ef 2.10). Não é ele quem vive agora, mas é Cristo quem vive nele (Gl 2.20). Ele foi “convencido em sua consciência, cativado na Palavra de Deus”. Ele foi convencido pela verdade de Deus e, assim, convencido, vencido e dominado pelo próprio Deus. Ele não mais pertence a si mesmo (1Co 6.19).
“Quando aquele um, que é maior do que Satanás, ataca e vence a este, então passamos ao domínio desse mais forte. Então igualmente seremos dominados, prisioneiros do Espírito Santo... Então, desejaremos e faremos de boa vontade aquilo que Deus quiser.”
      A doutrina tem prioridade, isto é, a verdade bíblica sobre Deus, a pessoa e a salvação. Lutero compreendia que tudo dependia da doutrina. Em seu trabalho e anseios ele não se preocupava com a decadência dos costumes e da perdição do clero romano e do papa, mas com a doutrina corrompida do sistema romano. Com a clareza própria de Lutero, ele declarou:
“A vida está ruim tanto para nós como para os do papa. Por isso, não discutimos por causa da vida, mas por causa da doutrina”.
       A doutrina era o que importava. É o que aprendemos da Bíblia. Depois que as pessoas se converteram após ouvirem a pregação do evangelho, no dia do Pentecostes, elas permaneceram firmes na doutrina dos apóstolos (At 2.42), pois a tarefa dos cristãos era pregar e defender o evangelho. A igreja é a coluna e o fundamento da verdade (1Tm 3.15). Ela existe para sustentar a verdade da salvação em Cristo e mantê-la efetivamente na doutrina e na pregação. Paulo escreveu a Timóteo: “Ordene e ensine essas coisas. Ninguém o despreze pelo fato de você ser jovem, mas seja um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza. Até a minha chegada, dedique-se à leitura pública da Escritura, à exortação e ao ensino... Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, agindo assim, você salvará tanto você mesmo quanto aos que o ouvem” (1Tm 4.11-16).

       Se a igreja não mantiver essas orientações, ela perdeu seu objetivo e perdeu a razão de ser. Ela se degenera tornando-se um “clube social” ou, como Martyn Lloyd Jones o definiu certa vez, uma associação de lazer. Ou se torna um fórum de discussões para troca de ideias sobre as múltiplas possibilidades da vida religiosa e de estilos de vida piedosa, o que seria uma das características de nossa civilização. Uma igreja dessas vendeu sua alma, tornou-se uma prostituta espiritual. São essas as alternativas. Nós, que pertencemos à noiva eleita de Cristo, permanecemos firmes no evangelho de Deus, nos separamos de todos que diluem, adaptam e reinterpretam o evangelho. O próprio Deus nos ordenou:
“Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? Que acordo há entre o templo de Deus e os ídolos?” (2Co 6.14-16).
       Ou seguimos com crescente anseio em direção ao grande dia das bodas do Cordeiro, ou adaptaremos o evangelho ao gosto das pessoas e praticamos prostituição com o príncipe dessa era. A grande prostituta será condenada nos juízos que em breve se abaterão sobre o globo terrestre.

       A doutrina precisa ser pregada. A verdade sobre a salvação em Cristo precisa ser divulgada. Foi Deus que determinou isso, que a justificação ocorre somente por meio de Cristo e somente pela fé. Por essa razão, Cristo e a salvação conquistada por ele na cruz precisam ser proclamados; pois Deus providenciou a Palavra como o único meio que proporciona a salvação: “Consequentemente, a fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo” (Rm 10.17; cf. Jo 17.20). Heiko Oberman escreveu na biografia sobre Lutero: “A Reforma conseguiu penetrar tão profundamente no povo porque Lutero descobriu uma surpreendente consequência do princípio da Escritura: ela precisa ser pregada”.

     Em seus escritos “Contra os Profetas Celestes”, de 1525, Lutero escreveu sobre a necessidade de proclamar a Palavra: “A Palavra, a Palavra, a Palavra o faz. Mesmo que Cristo fosse entregue e crucificado mil vezes em nosso lugar, tudo seria em vão se a Palavra de Deus não tivesse vindo, repartido comigo e me presenteado, e tivesse dito: isso é para você; tome-o e guarde-o para si”.

       A Palavra de Deus e a verdade estão sempre em oposição aos desejos das pessoas. Por isso surgem lutas. Precisamos, no entanto, tentar compreender o efeito da resposta de Lutero diante do parlamento. Ela foi um prenúncio de luta, uma declaração de guerra contra a ordem que estava em vigor desde o início da Idade Média: a igreja era representante do céu e o imperador era responsável pelo governo do mundo. O que o mundo deseja é ordem, paz e bem-estar, mas ele quer tudo isso sem Deus, e sem a sua verdade. Lutero falou as seguintes palavras contra isso diante do parlamento reunido:
“Para mim... de todos os aspectos, o mais aceitável é que surgem ciúmes e brigas por causa da Palavra de Deus. Aliás, essa é a tendência, o efeito da Palavra de Deus conforme o próprio Cristo diz: eu não vim para trazer paz, mas espada”.
       O que o mundo deseja é ordem, paz e bem-estar, mas ele quer tudo isso sem Deus, e sem a sua verdade. Acontece que a Palavra de Cristo, o evangelho da salvação, é a espada, e isso transforma em inimigos os membros da uma mesma família, e os que até então eram amigos em opositores. No entanto, esta Palavra é o poder de Deus para a salvação. Por isso ela deve ser testificada, mesmo que isso conduza inexoravelmente à indignação e controvérsia. 

       Quatro anos após os acontecimentos em Worms, Lutero escreveu para Erasmo, esse intelectual proeminente que sabia equilibrar tudo respeitosamente, a esse talvez maior humanista que se esforçava ao máximo para não causar brigas e inquietações:
“Com o seu conselho, você [Erasmo] pretende determinar que, por consideração ao papa e aos maiorais ou em favor da paz na terra, deixemos temporariamente de proclamar a verdade. [...] Você não leu ou não observou que desde sempre o destino da verdade foi de causar revolução no mundo? Foi isso que também Cristo afirmou, quando disse abertamente: ‘Não vim trazer paz, mas espada’ (Mt 10.34). E mais: ‘Vim trazer fogo à terra, e como gostaria que já estivesse aceso!’ (Lc 12.49). [...] Leia em Atos dos Apóstolos! Veja tudo o que aconteceu apenas porque Paulo pregou! O quanto esse homem conseguiu motivar gentios e judeus! O quanto ele movimentou toda a terra! Foi o que disseram até os seus inimigos (At 17.6)”.
       Devemos manter a verdade escondida somente para que tenhamos calmaria e para salvar a paz no mundo? Trata-se da única mensagem de salvação; trata-se do destino de almas; trata-se, acima de tudo, da glória de Deus. Lutero sabia o que dizer se fosse acusado diante do parlamento, e ele sabia claramente das devidas consequências. No dia 29 de dezembro de 1520, ele escreveu para Georg Spalatin:
“Um chamado do imperador significa que sou chamado por Deus. E mais: se eles usarem de violência contra mim, o que é muito provável, [...] então preciso confiar tudo às mãos do Senhor. [...] Nesse caso não se pode levar em conta o perigo ou bem-estar; nesse caso permanece uma só preocupação: que nós não nos descuidemos do evangelho com o qual aqui comparecemos, permitindo que sejamos zombados pelos ímpios, que não demos motivo de vitória para nossos inimigos como se não ousássemos professar livremente nossa doutrina, que não tenhamos medo de derramar nosso sangue em favor do evangelho. Que Cristo, em sua misericórdia, nos resguarde de tal covardia e de uma tal vitória deles. Amém!”.
       Quando Lutero esteve diante do imperador, ele sabia que este precisaria apenas falar uma palavra e o herege seria preso e encaminhado para Roma. E isso teria sido o seu fim. Cremos que somente a Bíblia é a Palavra de Deus e que somente o evangelho de Deus é o poder de Deus para a salvação? Se for assim, então também estamos dispostos a pôr nossa cabeça a prêmio por ela. Todos os servos de Deus precisaram enfrentar a batalha pela verdade da Bíblia e do evangelho bíblico. Vejamos isso rapidamente na vida de John Knox, Heinrich Bullinger e do pastor Wilhelm Busch.

       John Knox, o reformador na Escócia, nasceu em 1514 e faleceu em 1572. Pelas suas incansáveis viagens e pregações através de todos os recantos da Escócia, a Reforma se espalhou e, em 1560, a igreja escocesa assumiu uma confissão de fé reformada na Confessio Scoticana. A Escócia se tornou um Estado protestante. Todavia, havia inimigos convictos contra a Reforma. Maria Stuart foi da França para a Escócia a fim de, na condição de rainha, reintroduzir a fé católico romana. No dia 24 de agosto de 1561, em seu primeiro domingo em solo escocês, ela mandou celebrar a missa no Palácio de Holyrood, em Edimburgo. Diante disso, John Knox não conseguiu se calar; na primeira oportunidade, “no domingo após o primeiro ato da monarquia em Holyrood, os moradores de Edimburgo ouviram o sonoro tom de fanfarra da sua voz, falando do púlpito: "Uma missa é mais terrível do que se o reino tivesse sido invadido por dez mil inimigos armados".

        A ideia de Knox a respeito da missa ele já havia inserido na Confessio Scoticana, a confissão de fé escocesa. Ali, no capítulo 23, consta: “Essa doutrina é uma ofensa a Cristo Jesus e uma negação da suficiência do seu sacrifício salvador único [...] por esse motivo nós a detestamos ao máximo, a odiamos e a rejeitamos”. Toda a sua vida estava marcada por testemunhos de alerta contra a missa: “Quero prestar contas por constantemente explicar que a missa é, e sempre foi, um culto idólatra e uma abominação [...] a idolatria mais abominável praticada desde o início do mundo”.

     Joseph Chambon avalia a julgamento do reformador escocês com as seguintes palavras: “A ideia de que uma pessoa possa se atrever [...] por meios próprios, tornar concreto o Santo Deus em Cristo, para adoração dessa substância pela igreja, para constantemente repetir a morte vicária de Cristo na cruz em todo seu valor e efeito através dessa matéria, faz com que seu sangue ferva incessantemente. Para definir a vida de Knox se poderia escrever: ‘O zelo pela tua casa me consome’. O fato de que o protestantismo de nossos dias mal compreende o horror diante da missa, ou é algo que fala em favor da missa, a qual não se modificou, ou fala contra o protestantismo, que estaria modificado”. Knox foi imediatamente acusado perante a rainha e convocado a se responsabilizar. (...) Resultado: ódio incansável e mortal dessa fina dama contra um pregador do evangelho. Ela tentou, por todos os meios, eliminá-lo do mundo. No entanto, nada deteve John Knox. Por isso Joseph Chambon fala da “vontade quase terrivelmente imprevisível e obstinada do homem John Knox em varrer a falsa doutrina romana e de implantar a fé evangélica para a salvação em todo o país”.

       Lancemos o olhar sobre o segundo centro de Reforma, em Zurique. Heinrich Bullinger (1504-1575) era o colaborador 20 anos mais jovem de Ulrico Zuínglio. Após a morte deste, continuou com a implantação da Reforma e a consolidou. Em 1567, nove anos antes de sua morte, publicou uma detalhada apresentação da Reforma na Suíça, sob o título “História da Reforma”. No prefácio, ele escreveu as seguintes frases sobre o objetivo de sua “História da Reforma”:
“Aqui o leitor [...] verá claramente o que a cidade de Zurique suportou em termos de trabalho, agitação, custos, medo e dificuldades antes da Palavra divina ou a proclamação do santo evangelho ter sido amplamente divulgado na confederação. [...] O leitor encontrará muitas obras maravilhosas de Deus, principalmente a tremenda luta da verdadeira religião contra a falsa, assim como também conhecerá as duas. Além disso, quem tem um coração sério [...] vai adquirir e carregar uma eterna animosidade contra a falsa religião”.
      Por fim, um exemplo de épocas mais recentes. O pastor evangélico Wilhelm Busch (1897-1966) era um dos poucos cristãos a exercer oposição ao Partido Nacional Socialista. Em 1935, ele escreveu um panfleto com o título: “A Tua Palavra é a Resistência do Nosso Coração: Um alerta para a cristandade evangélica”. Entre outros, nele constava o seguinte:
“A verdadeira igreja de Jesus Cristo não é uma companhia de seguros, mas um acampamento militar. [...] Novamente surgiram forças de paganismo entre nosso povo e que enfrentam o evangelho. [...] Um novo paganismo se levanta como uma tempestade, cheio de ódio contra o evangelho da Bíblia. [...] Nós, no entanto, atacamos o paganismo moderno. Por quê? Atacamos o paganismo por causa de sua idolatria”.
     Busch foi intimado pela Gestapo. No dia 17 de maio de 1935 ele declarou para o protocolo da Gestapo: “Eu redigi o folheto ‘A Tua Palavra é a Resistência do Nosso Coração’ porque, como pregador da Palavra de Deus, estou comprometido em alertar nossas igrejas contra todas as doutrinas de homens, que as afastam de Cristo”.

       O evangelho nos transforma em escravos de Deus. Enquanto éramos pecadores não estávamos livres; também como redimidos não somos livres. Enquanto éramos pecadores, estávamos presos no pecado e na morte e, assim, estávamos livres da justiça (Rm 6.20). Sendo salvos, estamos libertos do pecado e da morte e, assim, escravos da justiça (Rm 6.18). Sendo escravos de Cristo, temos a obrigação de obedecê-lo. Temos a obrigação hoje perante o povo de Deus de guardar, defender e ensinar a verdade do evangelho, aconteça o que acontecer. Hoje temos a obrigação, diante de nossos concidadãos, de lhes transmitir a mensagem salvadora da redenção de modo legítimo e sem cortes. E isso significa: Sola scriptura; o que, por sua vez, significa: a Escritura é inequívoca, a Escritura é clara, a Escritura é suficiente e a Escritura é eficaz. O que impulsionou os testemunhos da época da Reforma e um pastor Wilhelm Busch, e o que deve nos impulsionar, é o imenso e insuperável anseio:

Soli Deo gloria! – A Glória seja dada unicamente a Deus! — Benedikt Peters

Via: Chamada

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Igreja Episcopal celebra primeiro casamento gay em templo

     Ativistas LGBTs ao redor do mundo comemoraram o que consideram uma vitória no campo da luta pelos seus direitos. Peter Matthews e Alistair Dinnie foram os primeiros homossexuais a se casarem em uma igreja evangélica no Reino Unido. A união foi oficializada no início deste mês, em Edimburgo, dentro nas novas diretrizes da lei canônica da Igreja Episcopal Escocesa. Houve ainda celebrações de casamento entre pessoas do mesmo sexo em igrejas nas cidades de Glasgow e Moray.

       A Igreja Episcopal aprovou em junho que casais homoafetivos pudesse se “casar” na igreja durante seu Sínodo Geral. O reverendo Markus Dunzkofer, afirmou que foi um “privilégio e uma honra” oficializar os laços de Peter e Alistair.

“Estou encantado que os dois se uniram e queriam um casamento na igreja. Isso incentivou não só a mim, mas a muitos membros da congregação”, afirmou o reverendo, que já havia dado a benção a duplas gays, mas era proibido até recentemente de formalizar a união com o “ritual completo”.

         A igreja episcopal, um ramo liberal da comunhão Anglicana e maior denominação do Reino Unido, retirou a cláusula doutrinária que definia casamento como “união de um homem e uma mulher”. A nova redação da lei canônica garante, porém que “o clero que não desejar realizar casamentos do mesmo sexo, não será obrigado a fazê-lo contra sua consciência”.

     A decisão escocesa teve repercussões em igrejas episcopais de vários países, encontrando oposição apenas em um grupo minoritário, sobretudo de líderes africanos. Dentro da denominação o assunto é debatido há anos e contou com uma campanha liderada por bispos anglicanos que, defendendo uma teologia liberal e inclusiva, se revelaram verdadeiros ativistas da causa LGBT. 

Com informações Telegraph

Nota do Blog: Infelizmente, essa é somente uma das consequências em se abraçar o Liberalismo Teológico.  Interpretar as Escrituras sob esse viés demoníaco, abre precedentes para que esse tipo de distorção aconteça. É muito triste ver denominações históricas sucumbindo á essas aberrações teológicas e se rendendo á uma agenda global que fere os princípios do cristianismo. Lamentável. Maranata!

Veja também: 







sábado, 23 de setembro de 2017

O que Acontecerá em 23 de Setembro de 2017?

     Muitas pessoas estão angustiadas: “Alguma coisa grandiosa acontecerá”. No dia 23 de setembro de 2017 o mundo visível deverá ser atingido por um alinhamento de corpos celestes, que acontece somente a cada 7.000 anos e que coincide exatamente com a visão relatada em Apocalipse 12! Pelo menos é o que os especialistas em assuntos do fim dos tempos e de profecias proclamam no YouTube. A maioria dos adivinhos online se mantém com reservas sobre o que exatamente acontecerá vinculado a esse grande sinal no céu. Entretanto, nota-se que os intérpretes de sinais nesse ponto estão unânimes. Os profetas da internet mais ousados se reportam a um monge, chamado Hepidanus, que viveu por volta de 1080 no mosteiro São Galo (Suíça), o qual teria profetizado que, após o dia 23 de setembro de 2017, na sequência do aparecimento desse grande sinal no céu, irromperia uma guerra devastadora.

       Apocalipse 12 relata a seguinte visão: “Apareceu no céu um sinal extraordinário: uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. Ela estava grávida e gritava de dor, pois estava para dar à luz. Então apareceu no céu outro sinal: um enorme dragão vermelho com sete cabeças e dez chifres, tendo sobre as cabeças sete coroas. Sua cauda arrastou consigo um terço das estrelas do céu, lançando-as na terra. O dragão pôs-se diante da mulher que estava para dar à luz, para devorar o seu filho no momento em que nascesse. Ela deu à luz um filho, um homem, que governará todas as nações com cetro de ferro. Seu filho foi arrebatado para junto de Deus e de seu trono” (v. 1-5).

       De fato, é impressionante o que os profetas online do fim dos tempos compilaram em relação a esses versículos. Christopher M. Graney, professor de física e astronomia do Jefferson Community & Technical College, em Louisville, Kentucky (EUA), resume a mensagem espetacular deles nas seguintes palavras:
“No dia 23 de setembro de 2017 o Sol aparecerá na constelação Virgem – ‘uma mulher vestida do sol’. A Lua estará abaixo do Sol – ‘com a lua debaixo dos seus pés’. As ‘nove’ estrelas da constelação Leão mais três planetas (Mercúrio, Vênus e Marte) aparecerão sobre a cabeça da mulher – ‘uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça’. O planeta Júpiter aparecerá ao centro da constelação da mulher, e quando a semana após o 23 de setembro tiver passado, ele se afastará da mulher em direção ao Leste, praticamente passando por seus pés – ‘Ela estava grávida e gritava de dor, pois estava para dar à luz’. Júpiter é o maior entre os planetas, ou o ‘rei’ dos planetas – ‘Ela deu à luz um filho, um homem, que governará todas as nações com cetro de ferro’. Esse não deve ser um sinal de algo maior, conforme dizem as fontes da internet?”
A resposta mais direta, honesta e cristã é: não.

       Naturalmente, no dia 23 de setembro poderia ocorrer qualquer acontecimento. Praticamente a cada dia acontece algo espetacular. É o fim dos tempos, e isso já há 2.000 anos (1Coríntios 10.11; Hebreus 9.26; 1Pedro 1.20). Sem dúvida alguma, os dias finais estão se afunilando (ver 2Timóteo 3.1-9). O prognóstico de que em breve haverá uma guerra devastadora infelizmente não pode ser desconsiderado. Estamos vivendo tempos turbulentos. Se hoje alguém disser, mesmo sem muita convicção: “No dia ‘tal’ acontecerá algo grandioso”, normalmente no dia “tal” ele poderá escolher entre as numerosas manchetes aquilo que mais lhe agradar como “cumprimento”.

       O problema referente às especulações sobre o 23 de setembro é: a teoria desse extraordinário acontecimento no céu, que supostamente acontece a cada 7.000 anos (ou a cada 6.000 anos, de acordo com o periódico Quelle), simplesmente não confere. Ela é falsa. Fake news. Uma mentira. Trata-se da mesma tolice daquele sinistro Planeta X, que causaria o fim do mundo no ano de 2012 ou da tétrade da Lua de Sangue, que teria ligação com algum evento fantástico. Assustador, no entanto, é ver muitos crentes – principalmente os fundamentalistas de “nossos” círculos – que mais uma vez embarcaram no trem em movimento das falsas profecias e que propagam a lenda dos grandes sinais celestes e dos grandes acontecimentos no dia 23 de setembro. Sem qualquer constrangimento, os piedosos “viajam” no âmbito do esoterismo e do ocultismo, citam quaisquer rabinos inimigos de Cristo, referem-se a misteriosos monges cuja existência é questionável e, assim, consideram-se como grandes intérpretes dos sinais dos tempos. Muitas vezes são esses cristãos que atacam as fantasias como O Senhor dos Anéis, Harry Potter e Nárnia, mas eles mesmos não têm escrúpulos para basear suas teorias apoiados em intérpretes de sinais das estrelas e de agentes do ocultismo.

       Christopher M. Graney, que de fato é um cientista e astrônomo, empenhou-se em pesquisar mais a fundo sobre essa questão. Ele leciona em uma faculdade católica. Quem aprecia as teorias conspiratórias, agora naturalmente poderia acusá-lo de fazer parte do sistema que pretende encobrir a verdade, com observações como: “Talvez ele seja maçom ou illuminati”, ou “Os jesuítas fizeram uma lavagem cerebral com ele”. Todavia, na página inicial de vofoundation.org ele apresenta fatos de peso que não podem simplesmente ser considerados “fatos alternativos”.

       Primeiro: em função da rotação da Terra, o Sol passa a cada ano por todas as doze constelações estelares. Dito com outras palavras: a cada ano, no mês de setembro, o Sol aparece na constelação Virgem. Segundo: a Lua também percorre seu ciclo uma vez ao mês. Também ela passa mensalmente por cada constelação. Ou seja: a cada ano há um ou dois dias em que o Sol está na constelação “Virgem” e a Lua está ao leste dela (“sob seus pés”). Isso significa que “uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés” é algo tão “raro” como o Dia da Independência do Brasil em setembro: essa aparição celeste acontece a cada ano.

“Certo, certo”, dizem os profetas online, “isso está claro. O que dizer, porém, da inexplicável e extraordinária coroa com doze estrelas?” Aqui temos então o grande problema para os intérpretes estelares da internet: essa coroa não existe.

      Na constelação de Leão, que supostamente deveria conter “doze estrelas”, há muito mais estrelas! As nove estrelas preferidas dos profetas do YouTube estão entre as mais brilhantes, mas de longe não são as únicas (e quem pode determinar se uma estrela não tem mais a luminosidade e importância necessárias?). Muitas vezes essas nove estrelas, em virtude de seu posicionamento, são utilizadas para identificar a constelação de Leão. No entanto, essa é uma prática bastante arbitrária. Outras representações “oficiais” da constelação de Leão, por exemplo, utilizam dez estrelas como delimitadoras – assim a coroa seria composta de 13 “estrelas” (dez estrelas mais três planetas). A simples verdade é: “Há muitas estrelas em Leão e ao redor da ‘cabeça’ em Virgem”. Assim, a mulher no céu já está coroada com muitas estrelas. A teoria das estrelas com mais três planetas não se sustenta.

       Todavia, o que faz os profetas da internet ficarem tão “fora da casinha”, apesar desses fatos aparentemente conhecidos, é a combinação dos planetas. Esse é o ponto crítico. Vários planetas junto à cabeça da mulher com o planeta Júpiter ao centro, enquanto a Lua aparece simultaneamente sob os pés dela – sim, isso realmente é algo bastante raro. O crucial, porém, é: a despeito das muitas estrelas que na verdade “coroam” a cabeça da mulher, essa rara aparição não tem relação alguma com a figura relatada em Apocalipse 12 (caso se queira acreditar que Apocalipse 12 trate apenas de sinais nas estrelas).

       Visto por esse ângulo, no dia 23 de setembro de 2017 haverá uma manifestação especial no céu, mas, diante dos fatos recém-enumerados, mesmo com a melhor boa vontade ela não pode ser vinculada a Apocalipse 12. Acrescenta-se ainda que essa aparição não é tão rara como os promotores sensacionalistas anunciam no YouTube. A afirmação de que essa aparição celeste seja “única” ou que aconteça a cada 7.000 anos não confere. O professor Graney pesquisou um período de 1.000 anos e constatou que essa configuração apareceu no céu “em setembro de 1827, em setembro de 1483, em setembro de 1293 e em setembro de 1056”. Se ele tivesse retrocedido ainda mais, certamente teria encontrado mais dessas aparições. Naturalmente alguém poderia agora mergulhar nos livros de história e pesquisar alguns acontecimentos empolgantes daqueles anos que os céus de setembro teriam então profetizado. No entanto, de acordo com Graney, não é assim que funciona a interpretação estelar. “Uma pessoa lê seu horóscopo diário, que diz: ‘hoje haverá obstáculos no caminho’. Então essa pessoa lembra os momentos em que esteve retida no trânsito ou na fila do supermercado, ou qualquer outra situação semelhante e dirá: ‘o horóscopo tinha razão’, mesmo que essas coisas aconteçam a cada dia”.

       O dr. Danny R. Faulkner, um físico e astrônomo cristão conservador, que trabalha para a missão Answers in Genesis [Respostas em Gênesis], chega às mesmas conclusões, independentemente do professor Graney. Ele também ressalta que a afirmação das 9 estrelas da constelação de Leão é “falsa”. Além disso, ele aponta para a realidade visível no céu. Ele escreve que constantemente são mencionados os pés da Virgem, mas que “Mesmo conhecendo muito bem a [constelação] Virgem, eu nunca consegui ver uma mulher no céu, de modo que mal posso afirmar em que lugar deveriam estar seus pés, e eu duvido que qualquer outra pessoa possa fazê-lo”.

       Por que isso é importante? Porque Gênesis 1.14 diz que Deus colocou luminares no céu como sinais. Sinais, porém, precisam ser óbvios. A imagem da mulher deveria ser facilmente identificável. E deveria ser possível vê-la completamente. No entanto, se o Sol estiver na constelação de Virgem, então “nenhuma de suas estrelas será visível”. O dr. Faulkner escreve sobre os três planetas que aparecem na constelação de Leão:
“Eles serão visíveis cedo na manhã desse dia, mas todos estarão ao fundo, no Sudeste do céu. Vênus é bastante claro, de modo que pode ser facilmente reconhecido; no entanto, isso não ocorre com Marte e Mercúrio, pois esses serão muito mais opacos, e eles não surgirão antes do início da madrugada. A tênue meia-lua será visível à noite, longe a Sudoeste. Júpiter poderia estar mais visível lá no Sudoeste, mas será difícil porque ele desaparecerá antes do anoitecer. Isso significa: nem todos esses ‘sinais’ serão visíveis, e aquilo que será visível não o será na mesma hora. Enquanto esse acontecimento possa parecer lindo numa tela de computador, Deus colocou ‘os luminares no firmamento do céu’ (não em telas de computador) para que sirvam de sinais”.
       O dr. Faulkner está correto ao dizer que as pessoas enxergam somente aquilo que elas querem nas aparições no céu (conforme ocorre nos testes de Rorschach). Assim, por exemplo, não é um princípio bíblico equiparar Júpiter a uma criança ou até ao Messias Jesus Cristo. E o que desde o início deveria ser a “pá de cal” para essa teoria fantasiosa é: Apocalipse 12 não trata de quaisquer sinais no céu em nosso tempo, mas João está enxergando uma visão fortemente figurativa e salvadora a respeito do povo de Deus, Israel (a mulher) que, sob fortes dores de parto, dá à luz ao Messias, sob a espreita do Diabo (e isso já aconteceu!). Seria algo muito fraco se apenas observássemos figuras celestes (ímpias) e, a seguir, sem qualquer base válida, baseássemos uma aparição no céu nessa representação simbólica.

René Malgo - Chamada

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Uma semana difícil para os ateus

       Durante um programa de rádio da BBC de Londres, ao vivo, debatendo com um sacerdote da Catedral de St. Paul. Com seu tom tipicamente beligerante, o autor de Deus um Delírio afirmou arrogantemente que os cristãos são muito despreparados, pois a maioria deles não seria sequer capaz de mencionar o nome dos evangelhos. A resposta do sacerdote foi impressionante. Assista:




sexta-feira, 28 de julho de 2017

Arqueologia revela provas da destruição de Jerusalém pelos babilônios

Arqueologia revela provas da destruição
de Jerusalém pelos babilônios
     Os arqueólogos que escavam o sítio arqueológico da Cidade de Davi, localizado no Parque Nacional dos Muros de Jerusalém, capital de Israel, descobriram madeira carbonizada, sementes de uva, pedações de cerâmica, escamas de peixes, ossos e inúmeros artefatos raros que remontam à queda da cidade nas mãos dos babilônios há mais de 2.600 anos. Entre as descobertas, feitas este ano no local, há dezenas de jarros usados para armazenar grãos e líquidos. Muitos deles têm alças e selos marcados que retratam uma roseta. Eles comprovam a riqueza da antiga Jerusalém, capital do reino da Judéia.

“Esses selos são característicos do final do período do Primeiro Templo e foram usados pelo sistema administrativo que se desenvolveu no final da dinastia da Judéia”, explicam Ortal Chalaf e Joe Uziel, diretores de escavações da Autoridade de Antiguidades de Israel.

      Essa roseta basicamente substituiu o selo ‘Para o Rei’ usado no sistema administrativo anterior. “Classificar esses objetos facilitava o controle, a supervisão, a coleta, a comercialização e o armazenamento” dos judeus que cuidavam da cidade na época que ela foi atacada e destruída pelos babilônios.

      Entre os artefatos que estavam sob camadas de pedra acumuladas no declive oriental
Estátua de marfim – imagem de uma mulher.
(Foto: Clara Amit, Autoridade de Antiguidades de Israel)
da cidade de Davi, está uma pequena estátua de marfim. O objeto raro representa uma mulher nua com um corte de cabelo (ou peruca) de estilo egípcio. 
Os diretores ressaltam que “essas descobertas da escavação mostram que Jerusalém se estendia além do limite estabelecido pelos muros da cidade antes da sua destruição”. O Antigo Testamento relata que os babilônios, liderados por Nabucodonosor destruíram Jerusalém em 587 a.C. (Jeremias 39 e 52).

“Ao longo da Idade do Ferro, Jerusalém passou por um crescimento constante, expressado tanto na construção das diversas muralhas da cidade quanto no fato de a cidade se expandir mais tarde. As escavações realizadas no passado na área do Bairro Judeu mostraram como o crescimento da população no final do século 8 a.C. posteriormente resultou na anexação da área ocidental de Jerusalém”, afirma o comunicado da Autoridade de Antiguidades de Israel.

     Chama atenção o fato da divulgação dos estudiosos ser feita alguns dias antes do “Tisha B’Av”, a data que anualmente lembra a destruição do Primeiro e Segundo Templos judeus no Monte do Templo. A Autoridade de Antiguidades de Israel anunciou a descoberta de evidências da destruição babilônica de Jerusalém na mesma semana em que os palestinos e outros islâmicos tentam divulgar publicamente que eles são os “legítimos” donos de Jerusalém e negam o seu passado como capital do povo judeu. 

Com informações Fox News

Nota do Blog: Somente pessoas extremamente ignorantes em História Judaica, ou até mesmo História do mundo, para cair no conto de fadas desse "Revisionismo" histórico promovido pelos Palestinos (ou pessoas de má fé e interesses escusos). Pois não existe a menor base histórica para se dizer que Jerusalém e, principalmente o Monte do Templo, não fazem parte da História dos Hebreus. Além das Escrituras, que é um documento fidedigno e histórico, a Arqueologia também vem agora, lançar luz sobre uma verdade mais que evidente.

Paz do Senhor à todos que estão em Cristo Jesus.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Padre Fábio de Melo prega na igreja de Kleber Lucas

     O pastor e cantor Kleber Lucas promoveu uma conferência na igreja que lidera no último final de semana. A Conferência Soul fez parte das comemorações dos três anos da igreja, localizada na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Entre os convidados este ano estavam o pastor Ed René Kivitz e o padre Fábio de Melo. O encerramento do evento, na noite deste domingo (30), teve uma pregação de um sacerdote católico, algo que chamou bastante atenção dos participantes. O padre Fábio de Melo, que também é cantor, já havia regravado músicas de cantores evangélicos, incluindo Kleber Lucas, mas é a primeira vez que é visto nos púlpitos de uma igreja evangélica.

 Em sua conta do Instagram, onde tem mais de 4 milhões de seguidores, o padre escreveu: 

“Hoje foi dia de estabelecer comunhão. Preguei na Igreja Batista Soul liderada pelo meu amigo @Kleberlucas. Muito obrigado a todos os pastores e membros da igreja que me receberam com tanto respeito e carinho”.

Um vídeo postado na conta de Instagram de Kleber Lucas mostra o padre no culto, mas não foi divulgado a íntegra do seu sermão, cujo tema foi “O Amor de Deus”. Ainda pela rede social, o pastor Kleber resumiu a participação do padre no evento da igreja com a frase: “CRISTO DESTRUIU O MURO!”.


Nota do Blog: Longe de mim querer causar polêmicas e conflitos religiosos. Devemos sempre buscar o diálogo e um entendimento das diversas manifestações dentro da fé cristã. Mas há um limite. E não podemos ignorar as profundas diferenças existentes entre a fé Reformada e o catolicismo romano. Ignorar a história é ignorar nossas raízes e a defesa da Ortodoxia bíblica. "Por conta de suas afirmações dogmáticas flutuantes e de sua estrutura política complexa e diplomática, a instituição Igreja Católica deve ser examinada com muito mais cautela e prudência. Iniciativas atuais para renovar aspectos da vida e adoração católicas (como, por exemplo, a acessibilidade à Bíblia, a renovação litúrgica, o papel crescente dos leigos e o Movimento Carismático) não indicam, por si mesmas, que a Igreja Católica Romana esteja compromissada com uma reforma substanciosa em consonância com a Palavra de Deus. E evangélicos devem ser cautelosos, mantendo padrões bíblicos claros ao formar plataformas e coalizões".[1]

Segundo Kleber Lucas, "Cristo destruiu o muro"! Então devemos deixar de lado todas as mazelas e heresias do catolicismo romano e abraçar um ecumenismo sem precedentes? Se os muros caíram, Kleber Lucas irá participar da "santa missa" e comer literalmente o corpo de Cristo? Se os muros caíram, Kleber Lucas vai admitir que o papa é o único representante de Cristo aqui na terra, o "Sumo Pontífice" e que os reformadores estavam errados ao se levantar contra os absurdos teológicas da igreja de Roma? Em que a igreja católica mudou uma vírgula das suas doutrinas desde 1517? Nada! ainda acrescentou o Dogma da imaculada Conceição (1854), da Infalibilidade Papal (1869-1870) e da Assunção de Maria (1950). É Lamentável... Infelizmente, ainda existem obstáculos insuperáveis... e o catolicismo romano não quer abrir mão.

____________________________________________________________-

Notas:

[1] Essas convicções fundamentais são expressas em papers oficiais de duas organizações evangélicas mundiais: Fraternidade Evangélica Mundial e Movimento Lausanne. Após abordar temas como mariologia, autoridade na igreja, o papado e a infalibilidade, justificação pela fé, sacramentos e a Eucaristia, e a missão da igreja, este foi o pronunciamento da Fraternidade Evangélica Mundial: “A cooperação na missão entre evangélicos e católicos está seriamente impedida por conta de obstáculos ‘insuperáveis’” (Fraternidade Evangélica Mundial, Evangelical Perspective on Roman Catholicism (1986) in Paul G. Schrotenboer (ed.), Roman Catholicism. A Contemporary Evangelical Perspective (Grand Rapids: Baker Book House 1987) p. 93). A mesma visão é refletida no documento de Lausanne intitulado Occasional Paper on Christian Witness to Nominal Christians among Roman Catholics, de 1980, bem como em uma declaração de John Stott, principal autor do Pacto de Lausanne: “Estamos dispostos a cooperar com eles (católicos romanos, ortodoxos ou protestantes liberais) em boas obras de compaixão cristã e justiça social. É no momento em que somos convidados a evangelizar com eles que nos vemos em um duro dilema, pois o testemunho comum necessita de uma fé comum e a cooperação no evangelismo depende de concordância sobre o conteúdo do evangelho” (Lausanne Committee for World Evangelization. “Lausanne Occasional Paper 10 on Christian Witness to Nominal Christians among Roman Catholics” (Pattaya, Thailand, 1980); John Stott, Make the Truth Known. Maintaining the Evangelical Faith Today (Leicester, UK: UCCF Booklets, 1983) p. 3-4.).


terça-feira, 18 de abril de 2017

Londres: 423 novas mesquitas e 500 igrejas fechadas

     “Londres está mais islâmica do que muitos países muçulmanos”, afirmou Maulana Syed Raza Rizvi, um dos pregadores islâmicos que lideram o “Londrestão”, como a jornalista Melanie Phillips chama a capital Inglesa. Wole Soyinka, Prêmio Nobel de Literatura, chamou recentemente o Reino Unido de “um caldeirão de islâmicos”. Por sua vez o prefeito de Londres, Sadiq Khan, que é muçulmano, tentou minimizar o recente ataque terrorista na cidade. “Os terroristas não suportam o multiculturalismo de Londres”, afirmou. Parece, na verdade, que o oposto é verdadeiro: o multiculturalismo é o que está alimentando o fundamentalismo islâmico. Um exemplo disso são as 423 novas mesquitas da cidade, que parecem ter sido construídas sobre as ruínas do cristianismo inglês. O prédio da Igreja Unida de Hyatt foi comprado pela comunidade egípcia para ser transformado em uma mesquita. A Igreja de São Pedro foi convertida na Mesquita de Madina. A mesquita de Brick Lane está num prédio que antes abrigava uma igreja metodista. O mais importante é que não são apenas os edifícios que sendo “convertidos”, as pessoas também. O número de adeptos do Islã dobrou nos últimos anos. Também cresce os adeptos do Islã radical, como Khalid Masood, o terrorista que matou pessoas na ponte de Westminster vinha de uma família cristã.

     Uma foto recentemente publicada pelo Daily Mail ilustra bem o que se passa no coração de Londres. Ela mostrava uma igreja na mesma rua de uma mesquita. Na Igreja de Santa Maria, com espaço para acomodar mais de mil fiéis, apenas 20 pessoas se reuniram na missa. A poucos metros dali, a mesquita de Brune Street estava superlotada. Ela tem espaço para apenas 100 pessoas. Às sextas-feiras, os seus frequentadores fazem as rezas no meio de rua. Ao que parece, o cristianismo na Inglaterra está se tornando uma relíquia, enquanto o Islã será a religião do futuro. Em Birmingham, a segunda maior cidade britânica, onde muitos jihadistas vivem e orquestram seus ataques, os minaretes islâmicos dominam a linha do horizonte. A comunidade islâmica pediu à prefeitura permissão para que as mesquitas britânicas chamem os fiéis à oração pelos alto-falantes das mesquitas várias vezes por dia.

     Embora cerca de metade dos muçulmanos britânicos tenham menos de 25 anos, um quarto dos cristãos tem mais de 65 anos. “Em mais 20 anos haverá mais locais muçulmanos ativos do que igrejas”, avalia o líder ateísta Keith Porteous Wood. Em 2020, estima-se que o número de muçulmanos praticantes será de, pelo menos 683.000, enquanto o número de cristãos que participam da igreja cairá para 679.000. “A nova paisagem cultural das cidades inglesas chegou. A paisagem homogeneizada e cristã da religião do Estado está em recuo”, avalia Ceri Peach, da Universidade de Oxford.

Os números:


     Desde 2001, 500 igrejas de Londres de todas as denominações foram vendidas e transformadas em casas particulares ou locais de entretenimento. Durante o mesmo período, as mesquitas britânicas se proliferaram. Entre 2012 e 2014, a proporção de britânicos que se identificam como anglicanos caiu de 21% para 17%, um decréscimo de 1,7 milhões de pessoas. De acordo com uma pesquisa realizada pelo respeitado Instituto de Pesquisa Social NatCen, o número de muçulmanos cresceu em quase um milhão. O número de cristãos praticantes está em declínio a uma taxa tal que dentro de uma geração, serão três vezes menor que os muçulmanos que vão regularmente à mesquita na sexta-feira. Demograficamente, a Grã-Bretanha vem ficando cada vez mais islâmica. As cidades mais importantes têm grandes populações muçulmanas: Manchester (15,8%), Birmingham (21,8%) e Bradford (24,7%). Em Birmingham, a polícia desmantelou uma célula terrorista. Em Bradford e Leicester, metade das crianças já são muçulmanas. Em 2015, o nome mais comum na Inglaterra era Mohammed, incluindo variações de ortografia como Muhammad e Mohammad. Os muçulmanos não precisam se tornar a maioria no Reino Unido; só precisam gradualmente islamizar as cidades mais importantes. Essa mudança já está ocorrendo. “Londrestão” não é um pesadelo de maioria muçulmana, é um híbrido cultural, demográfico e religioso em que o cristianismo declina e o Islã avança.

Tribunais de sharia


     A imprensa é parcialmente responsável por isso. Por exemplo, depois do ataque à revista satírica francesa Charlie Hebdo, o chefe do serviço secreto, Sir John Sawers, recomendou a autocensura e “alguma restrição” ao se discutir o Islã. Em muitos casos de atentados, os meios de comunicação evitam a palavra terrorismo e eliminam os aspectos religiosos que geralmente são a motivação dos ataques. De acordo com um levantamento da revista The Spectator, apenas duas das 1.700 mesquitas na Grã-Bretanha hoje ensinam uma interpretação moderada do Islã, em comparação com 56% nos Estados Unidos. Os wahabitas controlam 6% das mesquitas no Reino Unido, enquanto o ramo fundamentalista Deobandi controla 45%. De acordo com uma pesquisa do Centro de Conhecimento da Inglaterra, um terço dos muçulmanos que vivem lá não se sente “parte da cultura britânica”. Como outras capitais na Europa, Londres também está cheia de tribunais da sharia. Há oficialmente 100. O advento deste sistema judicial paralelo foi possível graças à Lei de Arbitragem Britânica e ao sistema de Resolução Alternativa de Disputas. O primeiro passo para a introdução da sharia foi justamente o discurso de “neutralidade”. Um dos principais juízes britânicos, Sir James Munby, disse que o cristianismo já não influencia os tribunais e que estes devem ser “multiculturais”, o que abriu espaço para a lei religiosa islâmica – que pede a morte dos infiéis – ser vista com naturalidade.

     Rowan Williams, ex-arcebispo de Canterbury, e o ministro da Justiça Lord Phillips também sugeriram que a lei britânica deveria “incorporar” elementos da lei da sharia. A cultura britânica está capitulando rapidamente aos fundamentalistas islâmicos, para aceitar suas demandas. Nas universidades britânicas também pode ser visto o avanço da lei islâmica. As diretrizes oficiais das universidades do Reino Unido agora preveem que “grupos religiosos ortodoxos” podem separar homens e mulheres durante os eventos. Na Universidade Queen Mary de Londres, as mulheres usam uma entrada separada e são forçadas a sentar-se numa sala sem poder fazer perguntas ou levantar as mãos, como é a norma nos países islâmicos, onde as mulheres têm direitos limitados. 

Com informações Gatestone Institute 

terça-feira, 14 de março de 2017

Pecados que Deus varre para baixo do tapete

     Se um pastor comete adultério, todos concordamos que ele deve ser afastado do ministério para ser tratado e restaurado e, só então, reconduzido ao púlpito. Porém, nunca vi um líder eclesiástico sequer ser afastado do cargo por desonrar pai e mãe. Na verdade, nunca conheci nenhum cristão que tenha sido posto em disciplina por desonrar seus pais. Você conhece um único caso assim? Tenho certeza de que não. Interessante, não é? Estamos falando de dois pecados que ferem igualmente um dos Dez Mandamentos, adultério e desonra aos pais (Êx 20.12,14), sendo que honrar pai e mãe é o único mandamento com promessa. No entanto, só damos a devida atenção a um deles. Já parou para pensar por quê? Por que consideramos que certos pecados são mais pecados que outros pecados?

       O grande mal que esse tipo de hierarquização de pecados provoca é que acabamos cometendo muitos deles sem nos darmos conta de que estamos pecando ou fingido que não estamos pecando. E isso é terrível, pois os tipos de pecados mais perigosos são aqueles que ou não percebemos que são pecados ou para os quais achamos boas justificativas a fim de cometê-los. Todo mundo sabe que lascívia é pecado, por exemplo, mas nem todo mundo se dá conta de que inveja é um pecado tão grave quanto (Gl 5.21). Todos entendem que assassinato é uma transgressão séria, mas nem todos consideram a cobiça algo tão relevante assim (Êx 20.17). E aí começa o problema. 

          Todo pecado é grave. Não existe pecado absolutamente nenhum que não entristeça o Senhor. Deus não varre pecados para baixo do tapete! Nenhuma transgressão da vontade divina passa despercebida aos olhos do Deus santíssimo e deixa de entristecer seu coração. Se você ler a lista das obras da carne que Paulo lista em Gálatas 5, verá que inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices e glutonarias estão no mesmíssimo pacote que prostituição, impureza, lascívia, idolatria e feitiçarias. E sobre todo eles (todos!), a Palavra diz: “não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.21). Essa é a razão de haver tantos e tantos cristãos que são arrogantes, soberbos, materialistas, invejosos, agressivos, maledicentes, fúteis, debochados, cínicos e agressivos: eles simplesmente não se dão conta de quão abomináveis são tais procedimentos, porque lhes ensinaram equivocadamente que esse modo de ser não é tão problemático assim. Ou arranjam boas desculpas para cometer tais pecados, a fim de se convencer ou de convencer outros de que está tudo bem em ser hostil, raivoso ou invejoso, por exemplo. Mas não está. Por essa razão, multidões de cristãos ou igrejas inteiras estão espiritualmente doentes. 

     Sem reconhecer o próprio pecado, nós não nos arrependemos. Sem nos arrependermos, não somos perdoados. Sem sermos perdoados… que Deus tenha misericórdia de nós! Quais são meus pecados de estimação? Que práticas antibíblicas são parte da minha rotina sem que eu faça nada a respeito? Quais são minhas falhas de caráter? Quais são minhas falhas de temperamento? O que faz de mim um pecador habitual? O que precisa mudar? Temos de nos fazer essas perguntas diariamente, se desejamos de fato expressar em nossas obras a fé que nossos lábios professam. Felizmente, estamos debaixo da graça de Deus. O sangue de Cristo nos purifica de todo pecado. O Espírito Santo nos chama ao arrependimento e ao perdão. Para isso, precisamos parar de fingir que nosso pecado não é pecado e temos de acabar com a mania de inventar boas desculpas para nossos hábitos pecaminosos. Deus está de braços abertos para nos restaurar, limpar e purificar, mas, para isso, precisamos ser sinceros. Nossas justificativas não fazem nosso pecado ser menos pecado aos olhos de Deus. 

          A hora é esta. Convido você a fazer um exame de consciência e admitir seus hábitos pecaminosos. Temos de parar com essa ideia cultural e maligna de achar que só desagrada a Deus sexo ilícito, embriaguez, idolatria e fofoca. Comece a analisar se você não comete aqueles pecados a que quase ninguém dá atenção, como arrogância, ódio, hostilidade, discórdias, ciúmes, acessos de raiva, ambições egoístas, dissensões, divisões e inveja. Ao se conscientizar de que os pecados a que você não dá muita atenção são tão malcheirosos às narinas divinas quanto aqueles que você mais condena, estará muito mais próximo de fazer uma faxina em sua alma, ao abandonar transgressões que poluem profundamente sua vida sem que você dê muita atenção a elas.

       Quais são os pecados que Deus varre para baixo do tapete? Nenhum. Absolutamente nenhum. A boa notícia? “Quem oculta seus pecados não prospera; quem os confessa e os abandona recebe misericórdia” (Pv 28.13). A misericórdia está ao nosso alcance, basta tomarmos as atitudes certas. Não amanhã, não daqui a pouco. Já! O que estamos esperando?

Paz a todos vocês que estão em Cristo,


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Igrejas liberais estão morrendo, mas as conservadoras crescem

     As igrejas protestantes mais antigas (que aderiram a Teologia Liberal) estão em apuros. Um relatório de 2015, feito pelo Centro de Pesquisa Pew, mostra que essas congregações, que no passado eram a maioria no cenário cristão, estão diminuindo rapidamente nos Estados Unidos. Perdendo quase um milhão de membros por ano. Com menos fiéis, diminuíram as entradas e com isso elas entraram em declínio. Dezenas de templos estão sendo fechados anualmente. Um número reduzido de líderes denominacionais e pastores têm feito vários esforços para reverter essa tendência e voltar a atrair pessoas à igreja. Quase 20 anos atrás o bispo anglicano John Shelby Spong publicou o livro “Por Que o Cristianismo Precisa Mudar ou Morrer.” Spong, um teólogo liberal, ensinava que só cresceriam as igrejas que abandonassem a interpretação literal da Bíblia e se adaptassem às transformações sociais. Isso incluiria, por exemplo, a aceitar o divórcio, o aborto e o casamento gay como “normais”. Ironicamente, o livro era apresentado como um “antídoto” para o declínio das grandes denominações evangélicas.

       Segundo o The Washigton Post, esse tipo de teologia defendido por Spong ainda é popular, em especial nas mais tradicionais, como a Igreja Metodista Unida, a Igreja Evangélica Luterana, a Igreja Presbiteriana dos EUA (PCUSA) e a Igreja Episcopal. Após duas décadas, os números mostram que essa mentalidade liberal não apenas foi incapaz de resolver o problema de declínio na frequência, mas em alguns casos dividiu e enfraqueceu as denominações.

      Na Igreja Unida do Canadá, um levantamento recente mostra que 20% dos pastores afirmaram não crer no Deus descrito na Bíblia. Vinte e nove por cento acredita em Deus, mas não o vê como “sobrenatural”. Pouco mais de 2% disseram ver Deus como uma “força” e 15,6% percebem Deus como uma “metáfora”. Entre os presbiterianos, por exemplo, surgiu a Evangelical Covenant of Presbyterians, que reúne hoje cerca de 300 igrejas que se cansaram da agenda liberal da PCUSA.
Por outro lado, continuam com tendência de crescimento as igrejas pentecostais e as que não negam a Bíblia como Palavra de Deus.

A pesquisa


      O estudo conduzido pela Pew, chamado “Teologia importa: Comparando os traços de crescimento e declínio em Igrejas Protestantes”, pode ser lido na íntegra aqui, em inglês. O diretor da pesquisa, David Haskell, observou que o estudo aponta como as igrejas que estão crescendo “se mantém firmes nas crenças tradicionais do cristianismo e são mais envolvidas em práticas como oração e leitura da Bíblia”. Haskell observou ainda que a confiança sentida quando lhe é apresentado um conjunto de crenças coesas, acaba sendo atraente para não crentes. O ensino de doutrinas centrais, consideradas verdades inalteráveis “faz com que os visitantes ganhem confiança. Essa confiança, aliada a uma mensagem edificante, reconfortante ou claramente positiva é uma combinação atraente”.

       O estudo também encontrou uma correlação entre o crescimento das igrejas e as práticas dos seus pastores. Aqueles que declaram ler a Bíblia diariamente e consideram o evangelismo “importante” conseguem manter um crescimento mais sólido. Por exemplo, 71% dos líderes das igrejas em crescimento liam a Bíblia diariamente, enquanto apenas 19% dos pastores das igrejas que perdem membros têm esse hábito. Além disso, 100% dos pastores responsáveis pelas igrejas em ascensão dizem ser “muito importante encorajar os não cristãos a se tornarem cristãos”, em comparação com os 50% do clero das igrejas com declínio da membresia. Outro aspecto da investigação foi como o louvor influenciava o crescimento. As congregações que optam por um estilo de adoração contemporâneo, com instrumentos musicais e cânticos, em média crescem mais que as igrejas que optam apenas pelo um estilo “tradicional”, com órgão e um coral. O material confronta outros estudos semelhantes publicados nos últimos anos mostrando que para as pessoas que frequentam igrejas a teologia ensinada não era ‘relevante’.